Fatinha

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Feliz 2009 (não resisti)

In humor on 30/12/2008 at 10:26 AM

            Querido Brógui

            Ok, você venceu. Dado o fraco desempenho da minha enquete, vou me recolher à minha insignificância e deixar de lado as pesquisas de opinião. De qualquer forma, ficou decidido que em 2009 vamos dominar o mundo. Já consigo visualizar a cena: eu e você, qual Pink e o Cérebro, planejando altos esquemas, engenhosos estratagemas. Espero apenas que, ao final, não acabemos dando com os burros n’água como no desenho animado (que se você ainda não viu, recomendo).

            Já estando decidido esse ponto, vamos às previsões astrológicas para o ano que se avizinha.

            De acordo com o horóscopo chinês, 2009 será o ano do Boi (ou Búfalo). As cores indicadas são o rosa e o verde. Mangueira total. Se você ainda não torce por nenhuma escola de samba, tá na hora de descer do muro e subir na mangueira. O metal é o cobre. Aproveite a dica. Cobre mesmo. Seja lá quem estiver lhe devendo, o ano é esse. O ano será bom para quem quiser aprender acordeom. Hã? Ainda existe acordeom? Bem, se não der mesmo para atacar de acordeom, apele para a sanfona, que é um similar. É?

O ano do Boi será um ano difícil para quem quer vencer sem se fatigar. O sucesso não será conseguido sem esforço. Não é o nosso caso, que acreditamos que o trabalho dignifica o homem. Acreditamos? Este ano o mote é: “nenhum trabalho, nenhum pagamento!” Ainda bem que a minha proposta de parar de trabalhar não venceu a enquete. Íamos entrar pelo cano. O ano do Boi favorece a disciplina. Quem tem formação militar, vai se dar bem.

Para finalizar, o Boi, não é um Boi qualquer. É um Boi Terra, uma Boi resistente, embora não muito criativo, isso quer dizer que esse ano será bom para o trabalhador braçal, que não disponha de muitos neurônios. Esse vai se dar bem.

No horóscopo ocidental, a dica é usar o dourado. O dourado representa a riqueza material. Juntando isso com o Boi Trabalhador, temos que até poderemos vir a ganhar um dinheirinho apesar da crise mundial, bastando que trabalhemos como uns mouros, de sol a sol, que, aliás, é o regente deste ano. Só falta ele aparecer para prestarmos as devidas homenagens.

            Para a numerologia, 2009 será um ano a favorecer parcerias. Então, xô individualismo, o lance é arrumar cúmplices. As alianças tornarão o mundo um melhor lugar para se viver, no qual a conversa e a diplomacia serão o mais importante. Boa previsão. Estamos precisando mesmo disso.

            No mais, como sou adepta da Lei de Murphy, mesmo estando tudo mais ou menos no esquema, sempre pode dar errado. Então, não custa apelar para as simpatias. Mas nada dessa manjadonas, de comer uvas, colocar calcinha nova, pular da cadeira. Minha simpatia para iniciar o ano de 2009 bem mesmo é a seguinte: à meia noite, ao invés de ficar dando beijinhos em todo mundo, naquela chatice de “feliz ano novo, feliz ano novo”, meta-se embaixo da cama, de olhos fechados e as palmas das mãos viradas para o chão. Feito isso, levante a cabeça com força, o que inevitavelmente fará com que dê com os chifres no estrado da cama. A primeira gotinha de sangue que brotar do seu crânio você colhe com um conta-gotas previamente lavado com a água da última chuva do ano, coloca num vidrinho octogonal, que será tampado com uma rolha recém retirada da garrafa de cidra que você bebeu fingindo que era champagne. Esse vidrinho você vai carregar escondido na sua roupa íntima durante todo o ano, tomando o cuidado de não deixar cair no vaso sanitário quando for se aliviar e também não sentar em cima dele e acabar com a bunda retalhada. Esse amuleto vai lhe proteger de todos os vodus, maus espíritos, almas de outro mundo, olho gordo, gravidez indesejada, dor de cotovelo, azar, pobreza, maucaratismo, ex-marido e tudo aquilo do qual você tem medo.   Tá dada a dica. Se não funcionar, mal não faz (como toda simpatia que se preza).

           

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Enquete

In humor on 24/12/2008 at 5:32 AM

Querido Brógui

Pra você não ficar dizendo por aí que não sou uma pessoa democrática, que sou mandona e que não tô nem aí para a opinião alheia, decidi fazer hoje uma singela enquete. Vamos lá, não fique tímido, deixe a preguiça de lado e dê um mero clique em uma das alternativas. Huummm… Não gostou de nenhuma delas? Então deixe a sua sugestão nos “comentários”.

Tô podendo muuuito!

In humor on 22/12/2008 at 7:06 AM

Querido Brógui

Essa é a primeira edição escrita diretamente no novíssimo notebook  pertencente ao município do Rio de Janeiro, mas sob minha guarda e responsabilidade, como diz no documento que assinei ao recebê-lo. Cada professor da rede recebeu esse mimo do Prefeito Maluquinho ao apagar das luzes. Bem que eu disse que o cara ia raspar os cofres do município, deixando-os brilhando como um espelho. A conta da compra ficou em aproximadamente setenta e oito mil reais, conforme a nota fiscal. Ficamos esperando o tal do trequinho para conexão com a internet, mas reza a lenda que não deu tempo de licitar. Isso me leva ao tema de hoje.

Comprei um roteador. Comprei so-zi-nha. Obviamente após consultar pessoas que entendem do assunto. Fiquei com o negócio aqui em casa, olhando pra mim, eu olhando pra ele… Tomei coragem e disse pra mim mesma: “Deixa de ser mulherzinha! Instala logo essa coisa! Você é uma mulher ou um pé de couve?”

Foi o que fiz. Executei a missão com êxito, estou na sala, no sofá, o negocinho está funcionando direitinho. Estou me sentindo o máximo, um verdadeiro gênio, a própria mulher do terceiro milênio! Tudo bem que o cd de instalação é um passo a passo que qualquer macaquinho bem treinado consegue seguir, mas mesmo assim fiquei mais feliz que pinto no lixo quando liguei o note e consegui acessar a internet.

Nada como uma missão bem sucedida pra levantar o astral, que, cá pra nós, tava pesadíssimo.

O que é “morar mal”?

In humor on 20/12/2008 at 10:47 AM

Querido Brógui

O que é “morar mal”? Atualmente, temos nós, moradores do Rio de Janeiro, nos confrontado com uma mudança drástica nos paradigmas e, sendo assim, responder pergunta supostamente tão óbvia fica meio difícil.
Outrora, “morar mal” basicamente era morar fora da Zona Sul, morar “além túnel”. Pra você que não mora no Rio, abra-se um parênteses. Entenda que na Zona Sul tem praia e, no Rio, praia é tudo. Todo o nosso referencial vem do mar. Por conta disso, bairros mais novos, nos cafundós de Judas, na Zona Oeste, mas que têm praia, entram no conceito “morar bem”. Logicamente, como não poderia deixar de ser, os moradores da Barra da Tijuca e adjacências sofrem toda a carga de preconceito e desprezo dos moradores da Zona Sul, sendo taxados de novos-ricos ou ex-suburbanos-que-migraram-para-perto-do-mar (o que é uma grande verdade, diga-se de passagem). Por outro lado, sofrem também toda a carga de inveja e despeito dos suburbanos que sonham em se mudar pra Zona-Oeste-que-tem-mar, nem que seja para morar num micro-apartamento de fundos, mas de cuja micro-janela, de binóculos, dá pra ver o Oceano Atlântico. Tem gosto pra tudo, né?
De uns tempos pra cá, o paradigma mudou. Além de “morar mal” porque é longe da praia, se “mora mal” porque se mora perto de uma favela (ops!) ou porque se tem que passar perto dela pra chegar em casa. Associamos a idéia de favela (chega de ops!) à periculosidade, associação essa verdadeira, infelizmente.
Que fique claro aqui que quando me refiro à favela com um lugar perigoso, não estou dizendo que lá só tem bandido. Muito pelo contrário, tem muito menos bandido que gente trabalhadora, gente essa que como nós (ou em escala muito maior) é refém da bandidagem. O fato é que esses criminosos se encastelaram nos morros cariocas, com o aval de um certo governador já falecido, e agora, já era. Não tem como tirar os caras de lá. Tem?
E aí? Como fica a classificação do que é ou não morar bem? Pense bem: há diferença entre morar no pé do morro ou morar a duas quadras dele ou sabê-lo ali perto mesmo que não o veja? A periculosidade diminui na razão da distância? Você está seguro longe de uma favela? E como ficar longe de uma favela, se a geografia do Rio não ajuda? Na Zona Sul há várias delas, como fica esse critério? Por ser Zona Sul mora-se “bem” mesmo que tenha que blindar a janela do seu apartamento? Percebeu como é difícil a coisa da classificação? E tem mais: ainda que não se more perto de uma delas, para se locomover, seja lá de onde você venha e pra onde você vá (mesmo que seja para o aeroporto) é necessário fazer a escolha do caminho menos pior, porque não tem saída. Aqui é morro pra tudo que é lado, e, encarapitada em cada um deles, uma favela, fora as que não são no morro.
Por que estou tão revoltada hoje? Porque fiquei desolada ao descobrir que a rua em que moro, vizinha ao Morro dos Macacos, virou área de risco. Como descobri? Váááários indícios. Quando tentei comprar um produto pela Internet e fui informada de que não fazem entregas nessa rua. Quando pedi uma comida japonesa e tive que convencer a moça de que não tinha boca-de-fumo na minha porta. Quando tive que pedir pelo amor de Deus pra um cara vir aqui em casa fazer um serviço e ele só concordou quando prometi a ele deixar que estacionasse o carro na minha garagem. Nem o GPS do celular da Roberta consegue localizar essa rua, ela não está no mapa. Pode?
Como sou generosa, quero dividir o título honroso de “morar mal” com todos os habitantes da Cidade Maravilhosa, que é uma grande favela, uma grande área de risco, onde todo mundo mora mal, seja na beira da praia ou no cocuruto do morro, seja numa casa confortável ou num cubículo 3X4. Quero deixar aqui registrado que, mesmo que um dia eu saia de Vila Isabel, não será isso a me fazer sentir mais ou menos segura. Quero dizer também que não acho que sair do Rio seja a solução, não somos os únicos a ter o privilégio de morar em lugar perigoso, basta acompanhar o noticiário na televisão. Também não vejo como solução sair do Brasil. A safadeza que gera a miséria, que gera a desigualdade, que gera a violência, que gera a insegurança está em toda parte do mundo. Talvez a solução seja pegar um foguetinho e sair do planeta. Ou não. Em qualquer lugar do Universo vai ser a mesma coisa, porque a nossa capacidade de destruição é ilimitada, começando pela nossa própria espécie.

Eu (acho que) vi a Madonna

In humor on 17/12/2008 at 7:35 AM

Querido Brógui

Eu fui ao show da Madonna! Tudo bem que nunca fui fã dela, mas ir ao Maracanã para vê-la era importantíssimo, fundamental mesmo, eu diria. Além de engordar o meu currículo de pessoa antenada, não quis me sentir excluída como fui na época do “Tropa de Elite”. Lembram? Pois é.
Lá fui eu ver o tão ultra-mega-super show da ultra-super-mega rainha do pop. Bom show, boa produção, lamentável a apresentação ter sido debaixo de chuva, o que penso que limitou o desempenho da moça (moça? He he he). Eu também teria sido econômica na apresentação. Imagina se a pobre quebra uma perna? Sabe lá quanto custa uma perna da Madonna? Bem mais que meu corpo inteiro, eu garanto. Isso sem contar que a imagem do Rio de Janeiro estaria definitivamente arruinada caso ela sofresse alguma queda.
Já sei. Você, maldoso, invejoso, está pensando: “Mas ela sofreu uma queda…” Eu acho isso f! A mulher se despenca pros confins da América do Sul, correndo risco de pegar uma doença tropical ou ser atacada por selvagens indígenas, aprende até a falar “obrigada” em português, toma a maior chuvarada no meio da lata, fica com a cara toda borrada de maquiagem derretida, os cabelos em petição de miséria, faz tudo direitinho e basta levar um escorregão num palco molhado e cair de bunda no chão que você se sente realizado! Queria ver você dançar de salto alto numa pista molhada pra ver se é mole. Mas, como todo recalcado que se preza, derrubador de plantão, você só comenta isso. Pra seu governo, eu, que estava lá, nem vi o tal do tombo.
Já sei, você deve estar pensando agora, babando veneno: “Lógico que você não viu o tombo, estava empoleirada na arquibancada a milhas de distância do palco…” Eu lhe respondo, ser viperino, que dava pra ver tudinho em detalhes. Pode examinar com seus próprios olhos a foto que Roberta tirou do lugar onde estávamos. Viu? Aquela formiguinha loura no meio do palco é a Madonna. Eu acho.

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Para que serve?

In humor on 15/12/2008 at 1:19 AM

Querido Brógui
Para que serve uma porta se ninguém bate antes de entrar? Essa é uma dúvida vivenciada por um monte de gente que conheço e que compartilha o mesmo teto com outras pessoas (por opção ou falta dela). Essa gente tolinha tenta, no mais das vezes sem sucesso, garantir um pouquinho de privacidade utilizando-se do singelo expediente de fechar a porta do cômodo no qual se encontra. Gente tolinha, sedenta por um minuto pra chamar de seu, que após a décima segunda invasão, começa a pensar seriamente que melhor seria retirar todas as portas da casa. Melhor ainda seria morar num loft, já que o espaço seria comum a todo mundo mesmo, evitando a ilusão de que a privacidade e a intimidade existem quando se trata de “família-a família-ê”. Eu sou mais heavy metal. Meto logo a chave na porta, mesmo correndo o risco de o invasor se sentir ofendido porque eu deixo claro que sua presença não é bem-vinda. Essa é a máxima expressão da máxima: “se tiver que haver opressor e oprimido em uma relação, eu serei a opressora.”

Irmão Gêmeo

In Sem categoria on 10/12/2008 at 6:51 PM

Querido Brógui

 

Há alguns meses eu havia feito o propósito de levar você para outro lugar. Hã? Levar você, Querido Brógui, para morar no WordPress. Bem, mudei parcialmente de idéia e, ao invés de levá-lo embora, criei um irmão gêmeo seu. Gêmeo bivitelino, não idêntico. Confesso que fiquei meio com preguiça de aprender a usar todos os recursos que o WordPress oferece, então, não dei muita atenção ao seu irmão (pobrezinho, tão novinho e já largadinho à própria sorte). Você era mais fácil de lidar. Percebeu a sutileza do “era”? Pois bem. Acabo de travar uma batalha para conseguir abrir o Terra Blog, agora cheio de novidades, cheio de guerigueri, cheio de coisa e tal. Uma hora depois, consegui acessar você, coitadinho, perdido, sozinho, nesse cibermundo tão cruel. Suei frio, só de pensar que nunca mais ia lhe ver. Tudo resolvido, dou de cara com o que? Um genérico do WordPress. A opção pelo básico já era. Sendo assim, já que estou sendo obrigada aprender a usar os recursos que são mais ou menos os mesmos, passarei a publicar você e o seu irmão gêmeo. Você fica magoado? Com ciúmes? Fique não. Você continua a ser o primogênito, e isso é uma grande coisa.

Dá pra rir no inferno

In Sem categoria on 08/12/2008 at 7:29 PM

Querido Brógui

Fui hoje fazer uma visita a uma amiga que trabalha na Saara. Para quem não mora no Rio, é um conjunto de ruas comerciais no Centro da Cidade. Não é O Saara é A Saara, uma sigla que não lembro o que significa.  Se em condições normais de temperatura e pressão aquilo lá é a ante-sala do inferno, na véspera de Natal é o próprio inferno.
Sou metida mesmo. Bater perna pra mim tem que ser em shopping ou, no máximo, uma feirinha muderna, desde que em horários em que não seja obrigada ficar batendo chifre. Pago mais caro pelo produto, mas desfruto do ar-condicionado, do estacionamento, do quase que silencioso ambiente, coisa impossível no comércio popular. É, na Saara, em cada porta de cada loja tem um cabra com um microfone na mão fazendo a divulgação dos seus produtos. Tem noção? Some-se a isso a oitiva ininterrupta da rádio Saara, que consiste em alto-falantes que igualmente fazem propaganda do comércio local. As propagandas veiculadas pela rádio só não são risíveis porque não dá pra rir sendo pisoteado a cada três minutos e empurrado a cada dois. Não dá pra rir no inferno.
Na Saara você também tem o desprazer de se sentir monitorado como um meliante qualquer. Tudo bem, acho que o fato de existir uma criatura que fica de pé em cima de um banquinho no meio da loja ou na porta dela olhando o movimento denota que a quantidade de furtos praticados deve ser algo beirando a obscenidade. Mas, cá pra nós, é muito desagradável saber-se alvo de tão severa vigilância.
Temos ainda no cardápio Saara o esgoto correndo a céu aberto em algumas ruas e lojinhas vendendo lanches suspeitíssimos ao povinho porco que colabora com a imundície lançando guardanapos e copinhos descartáveis pelo chão.
Minha passagem pela Saara só não foi mais traumatizante porque consegui arrancar minha amiga do escritório para almoçar comigo e de quebra comprar os presentinhos de Natal das crianças. Retiro o que disse: dá pra rir no inferno.

Fazendo a energia do guarda-roupa circular

In Sem categoria on 07/12/2008 at 4:40 PM

Querido Brógui

Todo final de ano é a mesma rotina: faxinão no guarda-roupa, separar roupas que não uso mais, roupas quentes para guardar pro ano que vem, abrir espaço e circular a energia. Minha filosofia nesse aspecto é bem clara: aquilo que não usei durante um ano inteiro é porque realmente não preciso, então, que vá para quem faça uso.
Comecei a fazer isso há centenas de anos, quando li no jornal uma entrevista na qual um ator dizia que, ao se queixar com um amigo de que não conseguia alcançar as coisas materiais que almejava, este lhe disse que deveria dar mais e acumular menos. É a tal da circulação de energia a que me referi. Segui o conselho e comecei a me desfazer de tudo aquilo que guardava apenas por guardar, com pena de dar. Um apego bobo. Com o passar do tempo, o prazer de fazer as doações foi aumentando e agora, quando faço a faxina de final de ano, o volume de coisas acumuladas é sensivelmente menor, já que o hábito ficou meio que automático. Sempre que compro uma peça nova, dou uma antiga.
Passo o conselho adiante: desapegue-se. É um exercício muito bom para sua espiritualidade. Se não quiser fazer isso em prol de seu espírito, que o faça pensando no lado material: quanto mais você doa, mais você ganha. O Universo tem essa regra, que não dá pra discutir.

Pilotando cadeira de rodas

In humor on 05/12/2008 at 9:25 AM

            Querido Brógui

 

            De volta aos teclados depois de algumas semanas às voltas com uma fratura de fêmur. Não o meu, o do papai. Encontramo-nos agora em fase de adaptação, mas tudo vai andando bem. Andando bem em sentido figurado, já que papai ficará de molho, sem pôr o pé no chão, até meados de janeiro. Com isso, estou agora desenvolvendo uma nova habilidade, qual seja, a de pilotar cadeira de rodas.

            Não sei se você já parou pra pensar o quão trambolho é uma cadeira de rodas. A que eu aluguei é monstruosa, e olha que eu escolhi uma sem aqueles rodões traseiros que me obrigariam a arrancar todos os portais da casa, além de remover todo o mobiliário que a guarnece. Como papai não pode dobrar a perna, a miserenta da cadeira ainda tem a tal da extensão, aquele negocinho pra manter a perna esticada. Conseguiu imaginar as dimensões da coisa? E o peso?

Pois é. Nada mais me restou além de ter que aprender a pilotar o trambolho. Da primeira canelada até hoje, a coisa melhorou bastante. Já descobri as melhores rotas entre os diversos cômodos da casa, se o melhor é passar pelas portas de ré ou de frente, estou usando as luvas da academia pra não destruir minhas mãozinhas. Como apenas as rodinhas da frente têm jogo, não raro tenho que apelar para minha herança lusitana e levantar a traseira da cadeira pra poder fazer as manobras. Com isso, estou trabalhando os meus bíceps, que, dentro de dois meses, estarão tão poderosos quanto os da Madonna.

No mais, toda essa situação nos leva a rever nossos paradigmas. Ouvir meu pai expressar o desejo de voltar a andar como antes, considerando que o fazia (com muito sacrifício) com a ajuda de uma bengala, dá o que pensar, não?

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