Fatinha

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De volta ao MC Créu.

In Sem categoria on 30/03/2008 at 8:43 PM

Querido Brógui,

Correndo o risco de ser repetitiva, preciso novamente voltar ao assunto da edição passada: MC Créu.

Hoje, enquanto gastava o meu já combalido cérebro lendo pela nogentésima vez o que é uma intervenção de terceiros, escutava a trilha sonora de uma festinha de aniversário. Só coisa boa: começando por axé, passando por pagode e acabando em funk. Adivinha qual era a música repetida ad nauseam? A tal da música do Créu. Não tenho a menor idéia de qual seja o nome dessa pérola (se é que tem nome), mas acho que tanto faz.

Sim, finalmente fui apresentada a essa ode à indigência cultural. E novamente me deparei com a constatação de que todo castigo pra corno é pouco. Não bastasse estar enfurnada em casa num domingo chuvoso estudando Processo Civil, ainda tive que aturar o tal do funk estuprando meus ouvidos.

Minha mente filosófica filosofou: como pode um cantor (que não canta) fazer sucesso com uma música (que não é música), que tem uma letra composta por apenas uma palavra (que não é palavra), com uma melodia pobre (que não é melodia), tendo como partner um dançarina (que não é dançarina) dançando uma coreografia (que não é coreografia)?

Difícil essa pergunta, não?

Eu não cheguei a nenhuma conclusão a não ser a de que esse mundo está perdido. De qualquer maneira fiquei curiosa. Preciso ver a fuça desse gênio que consegue ganhar dinheiro na maior cara de pau tendo como único trunfo a burrice alheia e a bunda da Mulher-Melancia.

O que vale é que essas coisas são sazonais. Daqui a pouco todo mundo esquece que essa criatura veio à Terra e ela voltará para as profundezas de onde nunca deveria ter saído.

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A Mulher-Melancia

In Sem categoria on 21/03/2008 at 7:57 PM

Querido Brógui,

Fiel e sempre firme na minha proposta pró-imbecilização, li no cabeleireiro a notícia importantíssima que a Mulher-Melancia irá se lançar em carreira solo cantando funk melody.
Uma notícia tão profunda me suscitou uma seriíssima dúvida: quem diabos é a Mulher-Melancia?
Perguntei ao meu cabeleireiro, cuja maior qualidade é não dirigir a palavra à minha pessoa a menos que assim eu solicite. Ele respondeu, laconicamente como sempre: “É a dançarina do MC Créu.”
Pouco esclarecedor. Perguntei quem diabos era MC Creu. Ele me lançou um olhar incrédulo, com uma pontinha de piedade pela minha ignorância e devolveu a pergunta: “Não sabe quem é o MC Créu?”
Humildemente respondi que não, não tinha a menor idéia de quem era tão ilustre figura.
Ele desligou o secador, talvez por perceber que a situação era grave, merecedora de uma pausa nos puxões de cabelo. “É aquele que canta a música do créu.” Ficou me olhando fixamente, procurando perceber se a ligação tinha sido completada. Nada. Fora da área de cobertura ou desligado.
“Aquela música… daquela coreografia…” Nada. Nenhuma reação. Ele desistiu e ligou o secador de novo.
Não me dei por vencida. Perguntei porque a tal da dançarina tinha o tão charmoso codinome de Mulher-Melancia. “Por causa do tamanho da bunda dela…” Isso eu entendi direitinho. Fiquei imaginando como seria uma bunda com o tamanho e a forma de uma melancia e fiquei impressionada só em pensar. Deu até vontade de aplaudir. É, a moça tem lá seu talento.
Decidida a não levantar daquela cadeira enquanto todas as minhas dúvidas não fossem esclarecidas, perguntei o que diabo era funk melody. “Uma mistura de funk com charm.” Mais uma vez fiz aquela cara de fora da área de cobertura ou desligado. O pobre moço fingiu que não viu, nem tentou explicar. Fez bem. Não há como dar tal explicação.
Rapidamente, vendo que ele estava acabando de espichar a última mechinha do meu cabelinho, perguntei rapidamente se a Mulher-Melancia sabia cantar. Ironicamente ele disse: “Com aquela bunda é preciso saber cantar?” Não, não precisa, ela já mostrou a que veio nas páginas de uma revista masculina. Não precisa cantar mesmo.
E eu aqui, com duas graduações, batendo no fundo da lata pra ver se cai algum trocadinho… Deveria ter investido em outro atributo natural que não minha inteligência.

Amigos

In Sem categoria on 20/03/2008 at 4:12 PM

Querido Brógui

Recebi essa frase hoje:

"Meu pai costuma dizer sempre: quando você morrer, se tiver (feito)
cinco amigos verdadeiros, então você teve uma vida notável" – Lee Iacocca

Fiz uma rápida associação ao que minha doce amiga Valerinha me disse outro dia. Ela disse que agora, ao conhecer uma pessoa, a primeira investigação que faz é quantos amigos ela tem. Concluiu ela, com a sapiência de sempre, que se a pessoa não tem nenhum amigo, tem algo de errado. Não ter marido, mulher, namorado, caso, ficante, não é tão desabonador quanto não ter sequer um amigo. Há algo de muito errado em uma pessoa que passa a vida toda sem construir laços com quem quer que seja, ainda que pensemos que há amizades pontuais, amizades com as quais perdemos o contato pelas contingências da vida, ainda que pensemos que nem todos os amigos se prestam a todos os papéis e a todas as ciladas que a verdadeira amizade impõe.

É isso. Sou uma pessoa agraciada por não poder contar nos dedos das mãos quantas pessoas eu considero como amigas, cada qual do seu jeitinho peculiar, cada qual ocupando um lugar bem distinto na minha vida, cada qual me fazendo feliz de uma maneira diferente.

Tipo assim, não tem a menor condição!

In Sem categoria on 18/03/2008 at 8:59 PM

Querido Brógui,

Credo!!! Faz quase um mês que não escrevo e meus leitores estão em crise de abstinência, psicologicamente abalados e mais carentes do que nunca. Mas, sabe como é artista, né? Temos vácuos criativos.
Tenho escutado umas conversas de banheiro interessantíssimas do ponto de vista antropológico. Banheiro da Faculdade de Direito da UERJ. Turno da manhã. Mais patricinhas por metro quadrado impossível.
Uma mocinha estava, tipo assim, indignada com o pai dela porque ela tinha dito a ele que, tipo assim, de ônibus não tinha a menor condição de ela chegar na hora porque, tipo assim, não dava pra acordar às seis horas da manhã. Aí, ele tinha dito a ela que iria lhe dar um carro usado. Como assim, carro usado? Já disse pro meu pai que vou largar a faculdade.
Em um outro depoimento interessante, a sujeita, tipo assim, nem sabia se na casa dela tinha cesto de roupa suja porque, tipo assim, usava e deixava no chão mesmo, a roupa desaparecia e aparecia limpinha dentro do armário. Aí hoje a mãe dela disse que, tipo assim, ela ia ter que colocar as próprias roupas na máquina. Ela respondeu pra mãe que não tinha a menor condição porque, tipo assim, ela nem sabia o caminho da área de serviço.
Por último, com chave de ouro, outra cidadã disse que ia trancar umas matérias porque, tipo assim, fazer oito matérias e ir pra night de segunda a segunda não tinha a menor condição.
Como diria minha prima: “Dá pra tu?”

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