Fatinha

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Tirando o limo

In humor on 25/03/2012 at 1:32 AM

Querido Brógui,

Sabe aquela música que diz que “pedra que muito se muda não cria limo”? Descobri essa semana que tenho muito limo pra remover da minha carcaça. Nada que uma boa esfregadela com palha de aço e produtos químicos poderosos não resolvam. E rapidamente.

Primeiro tenho que fazer uma adaptação térmica. Estou saindo de um forno para um frigorífico. Sempre trabalhei suportando – mais ou menos – ambientes de trabalho com temperaturas desumanas. Não é à toa que as crianças têm dificuldades de aprendizagem: quarenta cabeças, um ventilador… derrete qualquer cérebro. Essa semana não mais precisei carregar o meu ventilador para o trabalho, mas comecei a considerar seriamente colocar uma mantinha na bolsa depois que fiquei com dor nos dentes de tando trincá-los.

Outra questão a ser resolvida é o meu vestuário. Terei que providenciar outro tipo de roupas, mais adequadas. E uns sapatinhos e umas bolsas pra combinar. Não que eu me vista molamba, mas percebi que meu estilo não tem nada a ver com o MP. Farei o sacrifício de ir ao shopping gastar um dinheiro…

Trabalhar todos os dias é uma coisa que não sei o que é há anos. Sempre tenho umas folguinhas, umas tardes livres. Acabou a moleza. Agora é vida de peão. Vou ter que descobrir como poderei ir ao médico, por exemplo. Ou ir ao mercado, academia, fazer minha escova. Não ri, não. É sério.

Agora vou ter que tirar uma onda – morram de inveja minhas ex-colegas professoras – no banheiro tem papel higiênico, tá? Não vou precisar mais levar esse item na bolsa. Também tem cafezinho e não rola essa coisa pobre de fazer vaquinha. E o melhor: fui um dia de calça branca e ela voltou limpa pra casa. Sentiu a diferença de nível?

Abandonei o Tigrão na garagem e encarei um coletivo. Terei que voltar a usar minhas pernas ao invés de rodas. E haja pé. Acabei com eles. Cada dia um sapato diferente e todos eles me machucaram – em lugares diferentes. Acho que vou de Havaianas até a porta do prédio e depois trocar ali mesmo, na calçada. Que tal?

Você tá pensando que estou reclamando? Tô não. Tô muito feliz, nas nuvens. Deus está me cobrindo de bêncãos e só tenho a agradecer. Tirar o limo está me fazendo muito bem.

PS: A título de esclarecimento: fui nomeada para o cargo de Técnico Administrativo do MP do Estado do Rio de Janeiro. Não sou Promotora de Justiça, ok? A propósito, ficarei pouco tempo nesse cargo, porque passei também na prova para Analista Administrativo – do próprio MP – e já fui convocada. Então, tô entrando e já tô saindo. Não é pra ficar metida?

PS 2: O que farei no meu novo cargo? Parodiando nosso ilustre deputado, quando eu souber eu conto pra você.

PS 3:Obrigada pelas congratulações. Dá gosto ver que as minhas conquistas são motivo de alegria para você.

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Agora foi, agora eu vou

In humor on 19/03/2012 at 8:00 PM

Querido Brógui,

Andei sumidinha, não? Estava vivendo uma expectativa, temperada com ansiedade e frio na barriga. Não quis falar o que estava acontecendo com você porque, por menos supersticiosa que seja, acredito firmemente que contar com o ovo na galinha não é uma boa coisa, dá azar, entra areia, dá chabu, mela. Não tá entendendo nada? Vou ser clara: passei num concurso público e hoje foi publicada minha nomeação para meu novo cargo, o que significa que estou dando adeus à sala de aula.

Por isso o título do post. Agora foi publicado, agora eu vou embora.

Demorou um certo tempo entre a prova, o resultado, a classificação, a lotação e a nomeação/posse/exercício. Tempo suficiente para eu processar o tamanho do passo que eu estava dando. Deu tempo para eu tomar fôlego pra me atirar do penhasco rumo ao desconhecido – afinal, são vinte e cinco anos de sala de aula.

Estou feliz, triste, apavorada, esperançosa, emocionada, confiante, tudo ao mesmo tempo agora. Nem sei dizer direito o quanto isso significa na minha vida.

Semana passada, rumores de que a nomeação seria hoje me levaram a preparar o terreno para minha despedida da escola. Falei com algumas colegas mais chegadas, chorei e fui chorada. Desocupei meu espaço, joguei um monte de papel no lixo, fiz doações, passei meu armário adiante, peguei meu ventilador. Na entrega das chaves, a certeza de que naquele momento eu cortava o cordão umbilical que me unia àquele ambiente. Não tive coragem de me despedir das crianças. Semana que vem dou um pulinho lá pra isso.

Como já estou chorando de novo, vou parar por aqui. Abaixo, uma foto tirada no auditório. Somos todos os aprovados no concurso. No centro, o PGJ. E vai o desafio: onde está Wally? Pegue uma lupa e boa sorte.

Vou dar uma dica: estou do lado esquerdo

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