Fatinha

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Cheguei. Quer saber das últimas?

In humor on 22/01/2011 at 9:09 PM

Querido Brógui,

De volta, podendo usar os acentos, cedilhas e quetales, que me fizeram tanta falta.

Lá em Bruxelas, depois de arrumar a mala, me deu vontade de chorar só em pensar em ter que arrastá-la até a estação de trem. Cinco minutos apenas, mas que se transformariam em pelo menos uma hora de luta com o calçamento, com as rodinhas do malão, com os trinta e tantos quilos acomodados dentro dele qual um puzzle.

Desci, fui me aconselhar com Spartakos, que, lá pelas tantas, lembrou de um atalho que passava por dentro de um pequeno shopping a apenas alguns passos do hotel e desembocava dentro da estação. Fui lá investigar e vi que o tal caminho realmente existia, o que me economizou deveras. Tudo bem que tinha uma rampa enoooooorme pra empurrar o malão, mas, melhor que as pedrinhas da calçada e melhor ainda que subir escadas. A rampa me levou até o elevador, que me levou até a plataforma e, tirando o fato de eu quase capotar tentando rebocar a minha singela mala para dentro do trem, tudo correu às mil maravilhas.

No aeroporto, despachei a bagagem, que veio com a sutil etiqueta “HEAVY”, rezei para que ela chegasse junto comigo ao Rio, tendo em vista que havia a tal da conexão em Frankfurt.

E… enfim em Frankfurt, pela primeira vez tomei uma dura. Quando passei, o treco apitou, acendeu a luz vermelha, veio a lourona alemã me revistar, mandou tirar meu porta-dinheiro de dentro das calças, pegou minhas botas, passou a mão na minha bunda e eu lá, com os braços abertos, fazendo pose de Cristo Redentor.

Embarquei, fiz uma viagem cachorra, com as perninhas encolhidas como um gafanhoto, comi aquela ração de avião, cochilei um pouco, vi uns pedaços de uns filmes, desembarquei, corri pro banheiro pra tirar aquele monte de meias e casacos de cima de mim e pronto: Vila Isabel.

Tô legal, já comecei o processo de desarrumação e arrumação, faxina corporal, ver a quantas anda minha vida e por aí vai. Se tiver coragem, vou desovar as fotos no computador e enviar para os amigos que já mandaram milhares de emails cobrando isso. Não sei se lembra, mas das fotos da viagem do ano passado só foram metade, as outras fiquei devendo. Preciso de um assistente com urgência.

Beijinho
Paz

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Pode ir fazendo aquele feijao preto, estou voltando

In humor on 20/01/2011 at 8:54 AM

Querido Brogui

Aqui em Bruxelas, ultimo dia de passeio, faz um frio ameno, a big mala esta pronta, roupinha de viagem separada e um misto de alegria de voltar pra casa e tristeza pq este sonho acabou.

Conheci lugares lindos, aprendi muito, me diverti, gastei rios de dinheiro e estou feliz. Fechei com chave de ouro o passeio, comecado em ritmo acelerado e findando com a simplicidade de sentar numa praca e olhar as pessoas indo e vindo na feira.

Sinto-me uma pessoa melhor, mais segura, certa de que sou capaz de qq coisa q eu resolva fazer – desde q tenha um mapa nas maos, obviamente. Nao aprendi direito a temperar a agua do banho, nem a usar menos roupas para parecer menos um bonequinho de neve e mais um ser humano. Eu ficava repetindo: o que e uma bolinha vermelha com um pontinho verde? E eu mesma respondia: eu com meu casaco e minha mochila.

Tive a felicidade de encontrar pessoas otimas, como a familia da Taninha, Carol, a dona do hotel de Londres, Spartakos e Alessandro, Oscar, o seguranca do museu, so para citar alguns. Poderia aqui mencionar muitas outras figuras espetaculares q conheci e que, com sua luz, ofuscam qq europeu indelicado.

Aprendi a carregar na mochila toneladas de sorrisos e tolerancia alem do cartao de credito. Tentar entender o outro, ter boa vontade, fingir nao entender um gesto mais rude, levo isso tudo comigo no mochilao verde.

Vou finalizar com uma coisa q uma vendedora de uma lojinha em Amsterdam, americana, me disse qndo lhe perguntei se tinha sido dificil pra ela aprender holandes. Ela falou que nao sabia falar holandes, mas sabia sorrir e isso era o suficiente.

As fotos da viagem seguirao em breve. Deixa eu chegar, descansar os ossos e desarrumar o malao, ok?

Bjks mil, obrigada pela companhia.

PS: nao estou de burca, mas meu estado corporal bem q ta pedindo uma. Nao tenho unhas, o cabelo ta uma vassoura e a pele esta aspera como uma lixa.

Original ou fake?

In humor on 18/01/2011 at 1:56 AM

Querido Brogui,

Continuo achando Brugges a coisq mais fofa do mundo. Andei a esmo, so olhando para as casinhas, as pontes, as fachadas. Achei uma igrejinha que nao estava no mapa que e dado para a turistada. Nao descobri o nome, infelizmznte e tb nao sei pq ela nao consta do roteiro dos turistas, ja q e arrumadinha, bonitinha e bem conservada.

Hoje os museus estao fechados, entao tive q reorganizar minha programacao. Fui ver uma mostra de Salvador Dali. Ja havia visto umas coisas dele em Madrid, mas desconhecia q ele tb era escultor, fazia ilustracoes para livros, litografias, aquqrelas… Nas paredes, havia algumas frases ditas por ele das quais gostei muito. Numa delas ele diz nao se importa com o q se diz dele, desde q se fale dele. Autoestima la em cima, tb dizia q modestia nao era o seu forte e q, qndo crianca queria ser uma coisa, depois outra, mas q qndo cresceu, queria ser Salvador Dali. Gostei da exposicqo, especialmente das esculturas de dois anjos, mas confesso q nao entendo bem seus desenhos e pinturqs. Algumas qcho interessantes, outras de mal gosto, mas, enfim, acho q ele, seja la onde estiver, nao deve estqr nem ai para minha opiniao mesmo.

Ha muitas lojas aqui q vendem rendqs, tipo aquelqs de bilro muito conhecidqs no nordeste brasileiro. Em uma das lojas, vi os precos bem em conta e me animei toda. Comentei na recepcao do hotel – adoro assuntar com essas pessoas q sabem das coisas – e quql nao foi a minha decepcao qndo soube q era tudo made in China. As mais caras sim, sao artesanais, feitas aqui, mas a maioria e fake. Bem, comprarei umas pecinhas e ninguem vai saber mesmo se sao originais ou nao. Sempre pairara uma sombra de duvida, e jurarei de pe junto q foi carissima pq e original belga, feita a mao. hehehe. Sinto informar, Brogui, mas os chineses estao dominando o mundo… Daqui a pouco os carnavalescos terao olhinhos puxqdos.

No mais, nao aguento mais ver chocolaterries – saco -. E chocolate por toda parte, em barras, em caixinhas, bombons, com formatos de bichinhos e pessoas, doce, amargo, com recheio, sem recheio, pequenos, grandes. E um verdadeiro paraiso para o colesterol alto e figado arruinado. Cair de boca? Ok, farei isso.

Ja ia esquecendo de contar q o afegao me deu o cartao da loja e me convidou para voltar la hoje, para have a drink e something else. Sei muito bem o q ele quer dizer com something else… Ve la se vou me meter com um refugiado afegao machista – falou um monte de gracinhas pra mim num ingles horroroso q eu fingi q nao entendi. Eu, hein…

Vou liberar o computador pra Lelena. Fique com Deus.

Se Brussels e fofa, Brugges e muito mais

In humor on 17/01/2011 at 4:01 AM

Querido Brogui

Cheguei em Brugges de trem, q tarde. Depois de desistir de chegar ao hotel andando, peguei um taxi com um simpatico motorista q brigou conosco pq entramos as duas pela mems porta. Na chegada ao hotel, pra garantir q nao errassemos de novo, ele fez questao de abrir a porta do veiculo para saltarmos.

O hotel e bom mesmo. Nao e meia bomba nem apertadinho e tb fica bem localizado. Deixei a calcinha e a escova de dentes no guarda roupa e cai fui pra rua.

A cidade e uma coisa fofesima. Toda antiguinha, toda pequeninha, parece uma maquete de filme. Liguei pra Bao e Sis, do meio da praca, so pra dizer ao vivo como era “bunitinho” o lugar.

Tirei um monte de fotos ( vou mandar depois, Caca ) e encontrei um velhinho q cismou q eu tinha q tirar uma foto da lua. Ficou me puxando pelo braco e apontando e apontando ate eu conseguir tirar a foto q ele achou q ficou boa. Uma gracinha…

Fui a uma capela belissima, acho q uma das mais belas q ja vi. La fica em exposicao um vidro q dizem conter o sangue de Cristo. Se ‘e ou nao, nao sei, mas me emocionei, chorei e tudo. A senhora q toma conta do vidrinho depois veio falar comigo. Ela em holandes e eu em portugues, mas nos entendemos.

Jantei num china. Foi o mais barato q encontrei. A comida aqui e muito cara, mas como n vejo um prato de verdade ha dois dias… O dono garcon cozinheiro e um estressado, fez um monte de grosseria, mas comida barata tem seu preco. Na hora de pagar a conta, veio com uma historia de que o cartao estava com problema e eu disse na lata q quem tinha problema era ele, tomei o cartao da sua mao e paguei em dinheiro.

Agora estou numa lan house de um afeganistao boagente.

Obrigada pelos comentarios q me aquecem a alma;

Indo para Bruges

In humor on 16/01/2011 at 6:42 AM

Querido Brogui

Amqnha sigo para Bruges e; como nao sei se vou conseguir me comunicqr com vc; resolvi lutqr com Mac de novo, Vou deixar tudo aqui em Bruxelqs, levo so uma calcinha e a escova de dentes para la, vai ser otimo dar um descanso pros meus bracos, considerqndo que tenho q rebocar a minha mala e ajudar Lelena no embarque e desembarque do trem, E mais ou menos uma hora de viqgem e dizem q a cidade e uma grqcinha,

Hoje fiz um passeio turistao naqueles onibus de dois andares, passando pelos lugares e tirando fotos, como os japoneses fazem com maestria, Depois assisti a uma missa nq cqtedrql; qcho que em flamenco, Acho, pois nao era frqnces, nem alemao, nem holandes, nem igles; linguqs que ja domino com facilidade hehehe Nao entendi nada do q o padre falou, mas acompanhei assim mesmo e rezei para q esse finalzinho da viagem transcorra como ate agora, na paz, sem contrqtempos e com saude,

Como ano passado, comeco a sentir saudades da terrinha; do meu vestidinho de alcinha e das minhas havaianas, Acho q o pior desses minhas viagens e ter q andar vestida de cebola, com mil camadas, pesa, incomoda, nao consigo me mover direito, me sinto sufocada,

O recepcionista aqui do hotel e um grego, chamado Spartacus, Acredita – interrogacao O cara e uma gracinha, simpatico e disse estar doido prq voltqr para a Grecia, nao se adaptou ao clima daqui, Ficamos conversando; na verdade eu puxei qssunto; enquanto Lelenq arruma a mala pelo decima quintq vez – hoje – eu desci e grudei meu umbigo no balcao da recepcao, Acabei por pagar por meia hora de internet e ele me deu mais meia hora de presente, foi com a minha cara,

La fora esta uma noite linda, parou de chover e nem esta muito frio, mais ou menos sete graus, Acho q vou dar uma volta pela Grand Place e me despedir da cidade,

Bjs Paz

Brussels super fofa

In humor on 15/01/2011 at 5:28 AM

Querido Brogui

Depois de perder muitos minutos me atracando com um computqdor mac que tem qs letrqs do teclqdo forq do lugqr, finqlmente consegui entrqr qaui, Nao sei onde e o ponto finql entql onde vc ler virgulq nq verdqde e ponto, Acento tb nqo qchei, E q letrq q ficq no lugqr do a, Entqo se virq prq entender,

A cidqde e umq fofurq, jq qndqmos prq lq e prq cq, qs pessoqs sqo simpqticqs e os gqrcons dos restqurqntes pegqm os clientes q lqco no meio dq ruq, Jqntqmos e, u, lugqr onde os cqrqs co,ecqm q frqse e,m frqnces, mudqm pqrq o ingles e terminqm em espqnhol, Como eu tb qndo misturqndo tudo qpesqr de so sqber fqlqr portugues, no finql dqs contqs todo mundo se entende e ficq rindo um dq cqrq do outro, Qte Lelenq tq conseguindo se comunicqr sem q minhq qjudq e isso q fqz muito feliz, depender dos outros e um sqco nao sei onde ficq o ponto de exclqmqcqo,

O hotel e meiq bombq mqs bem locqlizqdo, Jq peguei o mqpq, meu melhor qmigp, e vi q virqrei q cidqde de pernqs pro qr mole mole,

Durezq foi qrrqstqr q megq mqlq dq estqcqo de trem qte hotel, q e perto, mqs o cqlcqmento lindo de morrer pqrece com os pqrqlelepipedos de Olindq, Minhq mqlq se revoltou, nqo queriq rodqr e eu vim no trqnco, Quqndo Helenq qvistou o hotel, q mqlq gritou iuuuupiiiiiiiiiiiii,

Nosso quqrto tem vistq pqrq o telhqdo do vizinho, mqs tudo bem, nqo pretendo ficqr nq jqnelq mesmo,,, O hotel pqrece que e um puxqdinho juntqndo dois predios, entqo, desco do elevqdor, pqsso por umq sqidq de incendio, subo tres degrqus e chego qte q portq do quqrto, Mqis tres degrqus e chego qte q cqmq, Estpu me dobrqndo de rir, pq q essq qlturq do cqmpeonqto, tudo e festq, Tem bqnheiro, tem cqmq, tem cqlefqcqo, tq no quilo, Aindq terei o direito qo cqfe dq mqnhq, coisq a q em Amsterdqm eu tirei dq minhq vidq,

Vou ficqr por aqui, ppq essq conxqo e muito cqrq e qindq tenho aue descobrir co,o fqz prq recortqr e colqr,

Em Arnhein

In humor on 13/01/2011 at 9:05 PM

Querido Brogui

Abortada a ideia de ir para Rotterdam, opcao feita para estar em casa de amigos aqui, em Arnhein, Holanda. Peguei o trem ontem e Taninha foi me buscar na estacao, de onde segui para a Alemanha, Emmerich – que chato! – para ver a cheia do rio Reno, que este ano está muitos milímetros acima do normal. Bem, nao sei como é o normal,mas Taninha disse que a calcadinha que beira o rio estava debaixo d”agua.

Demos uma rápida circulada pelos arredores – rápida mesmo, Taninha parece ter foguetinhos presos aos calcanhares – entramos no supermercado, fiz uma cesta básica de batata frita, chocolate e biscoitinhos doces e comemos um salsichao enooooooorme na lanchonete. No mercado, me peguei lendo o rótulo da embalagem do chocolate – em alemao. Vício de ler tudo, nem que seja em outra língua.

Como disse ano passado, fazendo uma citacao, “minha pátria é minha língua” e é muito bom estar em casa brasileira, ainda que apenas meio brasileira – o marido de Taninha é holandes. Conversamos muito, rimos e, na confusao de falar ingles, portugues e holandes, acho que estamos nos entendendo bem. As criancas estao meio desconfiadas, mas sao fofissimas com suas bochechinhas rosadas que nem as de crianca de propaganda de produtos infantis.

Vamos sair para dar uma olhadinha na cidade, apesar de estar chuviscando aquela chuvinha fina com vento.

Sem querer comparar, mas comparando…

In humor on 11/01/2011 at 6:09 AM

Querido Brógui,

Em Paris, passei por uma situacao digamos… inusitada. Eu já havia jantado e Lelena nao. Entramos em um restaurante, ela pediu um tabule e eu me sentei com uma Coca Cola nas maos. O dono do restaurante disse que eu nao poderia ficar alí, já que nao estava comendo. Falei que minha amiga iria comer, eu só estava fazendo companhia. Ele disse que aquilo alí era um restaurante e, se eu nao queria comer, que deveria esperar do lado de fora. ATENCAO: EU FUI EXPULSA DO LUGAR!!! Fiquei danada da vida, nunca vi isso na minha vida, em lugar algum e tambem nunca ouvi ninguém contar uma história dessas. Saí bufando, com vontade de tacar uma pedra na vidraca do restaurante, mas me controlei – a polícia francesa atira primeiro e pergunta depois, ainda mais em se tratando de uma neguinha com nome de muculmana.

Aqui em Amsterdam, no Museu Van Gogh, entrei no café e, como apenas eu queria comer, pedi um paozinho. Lelena estava ao meu lado e o garcon perguntou se era apenas um mesmo e eu pensei: “Pronto. Vou ser expulsa de novo.” Que nada! Ele pegou outro paozinho, colocou no prato e disse para a moca do caixa pra nao cobrar. Acho que ele pensou que a gente estava sem grana, ficou com pena, sei lá, nao importa. O fato é que eu achei isso de uma gentileza ímpar. Ele nem perguntou se a gente queria, foi logo dando o presente. Aceitamos a oferta, obviamente, nao iríamos fazer essa desfeita. Fui lá agradecer e ele me deu um sorriso de orelha a orelha. Ficou feliz em nos fazer feliz.

Palmas para os moradores da Holanda. Sabem sorrir, ser agradáveis e simpáticos. Nao importa se sao holandeses de verdade ou imigrantes. O seguranca do Museu de Annie Frank só faltou nos carregar no colo museu afora. Me ajudou a procurar Lelena – pra variar perdida -, ajudou Lelena a colocar o email dela no site do museu, olhou o mapa conosco pra nos indicar o caminho para o outro museu, nos recomendou que nao fossemos ao Red Light District depois de escurecer porque pegava mal.

Paris é linda, mas fiquei esperando levar uma porrada a cada instante. Todo mundo de cara amarrada, seja nas lojas, nos museus, nas ruas, qualquer lugar, qualquer pessoa. Nao tinha tido essa impressao da(s) outra(s) vez(es) que lá estive, talvez por nao ter interagido tanto com as pessoas. Salvo um rapaz no metro que me ajudou a comprar os bilhetes, levei tanto esporro em frances que vc nem tem ideia. Levei porta na cara. Levei dinheiro jogado no balcao. Fiquei muito mal impressionada e, ao chegar aqui, até estranhei ver pessoas mostrando as canjicas.

Nao querendo comparar, mas comparando: nesse aspecto – e em outros -, Amsterdam é muito mais legal.

Chegando a Amsterdam

In humor on 10/01/2011 at 3:03 AM

Querido Brógui

Acabo de chegar a Amsterdam, o hotel é muito gracinha, nao é closet como o de Londres, nem meia-bomba-no-terceiro-andar-sem-elevador como o de Paris. A propósito fiquei esses dias todos em Paris sem conseguir achar um canto onde houvesse internet. Minha caixa postal está explodindo e agora é que vou ver os seus comentários. O fato é que estou aboletada no hall do hotel escrevendo. Nao sei quanto tempo posso permanecer aqui, vou esperar o cara da recepcao me expulsar. Vou tentar entao colocar vc em dia, comecando por Paris, a cidade iluminada onde o vento faz a curva.

O ventinho de Paris me faz chorar. Nao de emocao, mas de dor no olhos. No primeiro dia estava bem friozinho, por volta de zero, mas depois esquentou bastante: mais ou menos 4 graus, chegando ate 7. Choveu e, segundo o cara do hotel, que fala um portugues com sotaque carioca, isso faz com que a temperatura aumente. Peguei apenas uma nevezinha sem vergonha no primeiro dia que nao deu nem pra sujar a bota.

Andei como uma condenada, vendo e revendo coisas. Dessa vez estava como pinto no lixo: eu e meu mapa somos grandes amigos e ele acabou a semana em frangalhos.

No primeiro dia, atravessei o Louvre, entrei no Jardin de la Tullerrie (nao sei se escreve assim), sai pelo outro lado, que desemboca na Champs Elisee (tb nao sei se é assim que escreve). Fui olhando as lojas maravilhosas daquelas grifes maravilhosas. Pensei em vender meu carro e comprar um chaveiro numa delas, depois pensei que de nada me adiantaria um chaveiro se eu nao tivesse chaves para nele por. No final da rua, sentei para admirar o Arco do Triunfo, tirei umas fotos (nao, Andre, nao vai rolar nada em tempo real) e segui para a Torre Eiffel.

Passei pelo Trocadero (vai acompanhando no mapa o quanto eu andei, ok?) e cheguei aos pés da Torre. Um vento de cair os olhos. Um monte de imigrantes vendendo miniaturas e outras coisitas, a mercadoria exposta no chao. Eu, só dando olé nos caras, eles sao muito invasivos e eu, carioca, mestre na arte evasiva. De repente, o maior barata-voa. Era a chegada do rapa frances, um policial de bicicleta, com um cassetete na mao. Foi muito engracado: todos os vendedores saíram correndo ao mesmo tempo, um pra cada lado, e, em segundos, todos haviam desaparecido. O rapa nao pegou ninguém, nem mercadoria nenhuma – parece até um certo lugar que conheco…

Vou indo agora. Lelena esta desmaiada aos meus pés, morta de fome. Mas, eu volto. Descobri que a internet aqui no hotel é liberada.

Pagando mico em Abbey Road

In humor on 02/01/2011 at 6:43 AM

Querido Brogui

Hoje tirei a sombrinha da mochila para diminuir o peso. Choveu, logico. Murphy anda comigo para onde quer que eu va. Fiquei com medo de ficar resfriada, mas nao teve jeito, encarei o chuvisco com o capuz do casaco enterrado na cabeca.

Depois de tentar chegar de onibus a um lugar e ir parar a pe em outro lugar, no final do dia fui passar atestado de turista tirando fotos atravessando a Abbey Road. Foi muito legal, mas os londrinos devem odiar todos os turistas por causa dessas coisas. Eles sao obrigados a parar o carro e ficar esperando a cambada fazer pose no meio da rua. E quando a foto fica ruim, ainda tem que esperar tirar outra. Lelena quase foi atropelada e nao conseguiu tirar a minha foto direito. Mas rimos um bocado e atravessamos em cima da faixa pra la e pra ca. Era mais ou menos cinco horas da tarde, noite fechada, um frio de rachar e a gente gargalhando que nem umas idiotas.

Antes disso, fui olhar os patinhos congelados nadando no laguinho do Regents Park e visitar Baker Street. No caminho para a casa de Sherlock Homes, pedi informacao a uma dona no meio da rua e ela me mandou pro lado errado. Ainda bem que confiei no meu GPS interno e no meu mapinha, senao acho que a essa altura estaria atravessando o Tamisa a nado. Alias, acho que estao tirando onda com a minha cara, nao foi a primeira vez que tentaram me deram pista errada. Sera que alguma especie de piada inglesa?

Depois de pagar mico no meio da rua, consegui pegar o onibus de volta para o closet e jantei um risoto bem gostoso num restaurante italiano cujo dono e um portugues. Coisas de Londres, onde o que menos se ve e um ingles legitimo.

Para lhe tranquilizar, nao passei a noite de ontem comendo biscoito velho e agua da bica como o Jorge disse, passei dormindo. Acordei com o barulho da queima de fogos na London Eye – a televisao estava ligada. Voce sabe que nao ligo pra esse negocio de comemorar a passagem do ano. Acho que e uma noite como qualquer outra, nada muda quando a contagem regressiva chega ao zero. Meu ano novo acontece sempre, quando faco algo diferente, quando mudo o rumo da minha vida ou simplesmente quando opto por ser algo que gostaria de ser mas ainda nao sou.

Vou indo, boa noite. Fique com Deus.

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