Fatinha

Me diz que sou seu tipo

In humor on 21/07/2021 at 9:36 PM

Querido Brógui,

Lembra da história da latinha? Aquela que está lá no isopor esperando por você? Pois é.

Depois de umas boas olhadas dentro do isopor, escolhi uma e peguei. Broguinho, conheço você. Consigo até ver seu sorriso nos lábios. Pode tratar de ir tirando ele da cara. A Coca-Cola estava choca. Sabe assim quando você abre, sai um monte de espuma e depois quando você bebe tem gosto de cabo de guarda-chuva? Marronemos isso.

Vou contar tudinho pra você.

Manja aqueles sites de relacionamento? Apps? Já mandei parar de rir. Foco na história. O negócio às vezes funciona, basta você se armar de paciência, bom humor, uma ou duas peneiras com tramas diferentes e um funil (depois eu explico para que servem estes instrumentos). Largue seu preconceito de lado e veja as vantagens: 1ª) em tempos de pandemia, ao menos não corre o risco de se contaminar; 2ª) não precisa se arrumar, pode ficar à vontade, de pijaminha, sem se preocupar em parecer bonitinho; 3ª) se você gasta horas na internet fuçando a vida alheia, lendo fake news, inteirando-se do último escândalo de roubalheira nos cofres públicos, por que não usar a tecnologia pra desencalhar? É, Brógui. Vamos ser francos. Tu tá encalhado. Quase naufragando. O rebocador tá pedindo arrego. Aceite a derrota com brio, que eu vou ensinar como faz.

Primeiro você procura um app ou um site pago. É, Brógui. Larga de ser canguinha. Liberte o escorpião que você cria dentro do bolso. É baratinho, tipo dez pau por mês. Não pode ser um gratuito? Olha, poder, pode, mas só se for pra se divertir como quem vê um filme de terror. Só tem dragão pobre. Ah, tá! Tô discriminando? Tá me patrulhando? Então diz, olhando no fundo dos meus olhos, que seu sonho de consumo é feio e sem um puto no bolso. Vai! Diz aí! Diz que seu sonho é casar com um catador de latinhas e morar num barracão de zinco com um balde de alumínio aparando as goteiras. Fala pra mim que você sai pela rua e só paquera tribufú. Ah, desculpe. É exatamente isso o que você quer? Então, cai dentro! Curta! Seja feliz!

Depois, você se inscreve, preenche uma ficha com trezenas de perguntas, bota aquela foto melhorada. Tome cuidado para não se expor muito, tipo vem-ninmim-quetô-facinha. Isso é péssimo. Atrai os piores. A menos, é claro, que seja exatamente isso que você quer. Depois você preenche mais outra trezena de perguntas informando qual seria seu tipo ideal. Aquele ser (que não existe) que vai suprir todas as suas carências, encaixar direitinho nas suas expectativas. Mas, presta atenção: não fique colocando muito filtro, porque senão não passa nada. Nem água podre.

Três horas depois, você está apto a começar a garimpar. Garimpar? Sim, garimpar. Usando aquelas peneiras e o funil aos quais me referi antes. Respira fundo, e entra lá.

De cara, amarradão, você começa a perceber que está fazendo o maior sucesso. Seu perfil tá bombando. Chovem pretendentes. Sua autoestima vai nos píncaros. Até que você se dá conta que não é bem assim que funciona. Você precisa pegar sua peneira primeiro.

A primeira peneirada é olhar as fotos. Isso é fácil e divertido. Não olhe só para a cara do sujeito. Amplie a foto e veja o entorno. Descarte logo a que mostra a cama desarrumada, a lixeira transbordando ou o reboco caindo. Benza-se quando vir aquela que o camarada tá sensualizando dentro da piscina de “prástico” com um latão na mão. Ah, tá! Este é seu perfil favorito? Beleza! Manda ver!

Escolheu? A segunda peneirada é ler o perfil. Para esta, use a peneira com a trama mais fininha, pra pegar mais impurezas. Comece a ler o que a figura escreveu. Deu de cara com um “eçe negoço de perfiu é um saco” ou “se amarro em funk”, feche rapidamente e volte para a primeira etapa. Em homenagem ao politicamente correto, vamos lá: sua cara metade não precisa saber escrever, pode cometer erros de ortografia até falando? Tá bem, pode passar para a terceira fase que é mandar uma mensagem (isso se você fizer questão que o nãoglota saiba ler).

Repita a primeira e segunda peneirada até seu saco ficar cheio de ver tanta cara esquisita e/ou começar a sentir ânsia de vômito.

Agora, pegue o funil e comece a ler as centenas de mensagens que você recebeu. Lembra? Você é pop, seu perfil tem estrelinha e tudo, carne nova no açougue. Isso fora as mensagens que você já enviou e o pato respondeu. Nesta fase, você já tá craque. Em dois segundos, já consegue mandar um cartão vermelho e pular para o próximo. Responda a todas aquelas que lhe interessarem. Sem medo de ser feliz. Pra facilitar, redija um texto padrão tipo: oi, meu nome é Brógui, moro em tal lugar, gosto de fazer sei lá o que sei lá o que e sou gente boa pra caralho. Não fique esperando resposta, saia dando tiro pra tudo que é lado, um deles você acerta.

Chato mesmo é quando você acerta um monte de vítimas. Fica meio confuso porque chega uma hora em que você não lembra mais quem é quem, quem trabalha onde, quem tem filho pequeno, quem gosta de cachorro ou é budista. Mas eu tenho a solução: chama tudo de querido e evite fazer perguntas muito profundas. Mantenha-se raso como um pires no começo. Se puder, pegue um caderninho e anote o básico pra não pagar mico de falar de churrasco pra quem é vegetariano.

Emplacou? Passaram algumas preciosidades pelo funil? É hora de aprofundar. Não muito. Não dê detalhes de sua vida, não diga seu endereço, não diga exatamente onde trabalha, nem seu nome completo, CPF, identidade. Seja vago, mas não minta porque você tá falando com uma montanha de gente e depois não vai lembrar que mentira contou pra quem. Pode informar seu WhatsApp. Se a vítima for muito mala, é só bloquear. Não mande fotos demais. É chatíssimo quando você recebe todo o álbum de uma só vez, então não faça aos outros o que não quer que façam com você.

No mais, é curtir o trajeto sem pensar muito no destino final. Sem fantasiar muito, sem delirar, sem achar que agora vai. Deixa fluir. Se colar, colou. Se não colar, tudo bem. Comece tudo de novo. Achou chato? Pare. Não tá nem a fim de tentar? Não tente, Faça o que quiser ou não faça nada. Aqui, Broguinho, ninguém manda em ninguém, como ninguém solta a mão de ninguém.

Tá doidinho pra saber a minha história, não é? Depois eu conto.

Pé na Bunda

In humor on 09/07/2021 at 1:21 PM
Meu ZapZap - Imagens Não desanime - Engraçadas para Whatsapp e Facebook

Querido Brógui,

Lá vamos nós de novo com a sessão auto ajuda. Desta vez, analisarei, com minhas sempre sábias palavras, os pés na bunda que a vida nos dá.

Seja lá qual for a situação, um pé na bunda, nunca é legal. Atualmente, em termos genéricos, estamos levando um por dia. O tal do vírus não alivia. O que fazer? Ou sentar no cantinho, olhando para a parede e chorando, ou tentar aproveitar pra rever nossos paradigmas, valorizar o que realmente tem valor, fazer do limão uma limonada, buscar alternativas, transformar pequenos momentos de alegria em grandes momentos de felicidade.

O grande pé na bunda que todos nós levamos e continuamos levando diariamente vem de uma criatura que nem pé tem – o tal do vírus. Sabe aquele projeto de viagem? Aquela viagem que você ia fazer nas férias do ano passado, que estava toda paga e foi pro saco? Aquele projeto de se mandar por aí já que se aposentou e não tem mais que bater ponto? Este projeto ficou pra depois. Um depois que a gente não sabe muito bem quando será. Quando pensamos que agora vai, não vai. Daí, Broguinho, você está pensando, com aquela cara amarrada: “Como este pé na bunda pode me empurrar para frente?” Elementar, meu caro Brógui: você pode aproveitar pra juntar mais grana para dar um upgrade na sua viagem que um dia acontecerá ou planejar a outra viagem depois desta que foi suspensa. O mundo não acabou (ainda). Então, reveja seus planos, escolha mais destinos ou troque de destino, pense num hotel melhorado, inclua mais de uma refeição por dia, faça uma listinha de perfumes que vai comprar no free shop. Futilidade? Tô pensando pequeno em meio a uma catástrofe? Não. Estou sugerindo que tenha esperança, que saia do cantinho onde está sentado, chorando e vá para seu computador ou pegue seu celular e encha sua cabeça de sonhos.

Outro pé na bunda é aquele que primeiro passou pela sua cabeça: o namoro, casamento, noivado e similares que terminou e deixou você com uma sensação de ter sido atropelado por um um trem carregado de minério. Vagões e mais vagões passaram por cima do seu corpinho e você nem viu de onde veio. Aí você chorou, ficou sem comer, passou dias paralisado como uma samambaia de plástico, sem ao menos fazer fotossíntese. Você achou que a vida era uma grande merda, que o amor era uma grande cilada, que todos os homens/mulheres do planeta pertenciam a uma categoria inominável. Jurou nunca mais se apaixonar, que ia abraçar o celibato e passar o resto da sua vida enclausurado, alimentando seu sofrimento com porções generosas de rancor e mágoa. Viveu tudo isso? Gastou todos os rolos de papel higiênico da sua casa enxugando as lágrimas e assoando o nariz? Ótimo. Agora, tá na hora de aproveitar o pé na bunda que lhe tirou do eixo e ver que ele lhe empurrou pra frente. Por que pra frente? Elementar, meu caro Brógui. Pé na bunda não empurra ninguém pra trás. Levanta, coloca remedinho nas escoriações e procure um novo amor. Ele existe sim. O seu ex, a sua ex não é a última Coca-Cola do deserto. Tem um montão de latinhas no isopor esperando para serem saboreadas. Mais uma vez, Broguinho, ouça o que o seu guia espiritual está falando: saia do cantinho do sofrimento e olhe em volta. Achou o isopor? Abra-o. Está de esperança até a boca. É só abrir e pegar uma latinha. Não gostou? Tava sem gás? Pega outra. Tava gelada demais? Pega outra. Tava quente? Pega outra. Não tá a fim de beber agora? Não beba. O importante não é encontrar a latinha perfeita ou se obrigar a beber se não está com sede. O X da questão é saber que existem outras latinhas. Sacou?

Poderia ficar aqui falando de mais um zilhão de tipos de pé na bunda existentes, mas vou falar só de mais um. Você perdeu seu emprego ou seu negócios não suportaram a crise econômica ou a sua profissão depende de contato físico e agora não dá ou o que você fazia para ganhar dinheiro ninguém mais pode pagar. Tá na merda. As contas continuam chegando, a geladeira só tem água e lá vai você pro cantinho chorar. Vai que este pé na bunda não é a hora de você tentar outra coisa? Vai que foi aquele sacode que você precisava pra sair da inércia e mudar de ramo ou procurar outras maneiras de permanecer fazendo o que fazia mas de forma diferente? Encare como um estímulo à sua criatividade, à sua inteligência, à sua competência. Saia do cantinho, Querido. Enquanto você tá aí, parado, as oportunidades estão surgindo e você nem tá vendo. As ideias estão embotadas dentro do seu cérebro, loucas pra serem libertadas e você não está deixando. Aí você me diz : “Ah, Brógui! Tá tudo tão difícil! O mercado tá competitivo demais! Tá todo mundo duro! A economia mundial tá phodda!” Ok, ok. Eu sei disso. Minha alienação não chegou a este ponto. Não sou lá muito de matemática, mas acho que é mais ou menos assim: se você tentar, tem X% de chances de se dar bem. Se não tentar, tem 100% de chances de se dar mal. O quanto vale este X, eu não sei, mas sei que é maior do que zero. Este X, esta incógnita, é a sua esperança. Cai dentro!

Lembra do que eu falei em outra edição? Fé e esperança. A esperança alimenta-se da fé.

A porquinha

In humor on 14/01/2021 at 10:16 AM

Querido Brógui,

Achei uma porquinha na minha sala. No chão da sala do Micro, que é meu pedaço do Paraíso aqui na Terra. Ele é a coisinha mais fofa do mundo, meio fashion, meu casinha de boneca, meio baguncinha de um lar. Meu Microcosmos. Do meu jeitinho, como sempre sonhei. Bem… estou divagando. Começarei de novo.

Achei uma porquinha na minha sala. Já era noitinha, tinha acabado de encerrar meu expediente. O tal do home office que todo mundo pensava antes que era a maior molezinha. Trabalhar em casa, não ter que enfrentar trânsito, não ter que acordar mais cedo para se arrumar. Ficar em casa com roupinha de ficar em casa, sem maquiagem, sem se preocupar se o cabelo está no bad day. Fomos enganados. Tem esta parte legal, mas tem aquela parte que ninguém nos contou que é fazer o trabalho para o qual somos pagos e ao mesmo tempo lavar, passar, cozinhar, fazer faxina, ver o que está faltando em casa, fazer as compras pela internet, etc, etc, etc. Temos hora pra entrar, mas não temos hora pra sair. Se houver uma demanda aos 45 do segundo tempo, temos que atender. De todo modo, no frigir dos ovos, eu estou gostando muito. É. Todas as coisas acabam se organizando, os horários e tudo o mais. A única coisa que não gosto é que perdi o ar-condicionado. No verão do Rio de Janeiro, chegar ao trabalho e vestir um casaco era tudibom. Enfim… estou divagando de novo. Começarei de novo.

Achei uma porquinha na minha sala. Tive que montar uma estação de trabalho, comprei uma mesinha, poltrona espadar alto, desktop, coloquei meus lápis numa latinha de Coca-Cola antiga, daquelas que ainda eram de lata mesmo. Ficou uma graça ainda que o espaço seja pequeno – não estava planejado montar um escritório no meio da sala – e consegui acomodar tudo em 90 cm. Nada como pouco espaço para otimizarmos a ocupação. Nenhum centímetro é desperdiçado. Tudo é milimétricamente arrumado. Eu, acostumada com casa grande, nunca dei importância a estes detalhes. Agora, sou a mulher da trena, não tenho lugar pra entulhar nada (a propósito, tenho que desocupar o box do banheiro social, que está servindo de armário para umas coisinhas). Lá em casa, temos um brechó. É de dar medo. Só em pensar em selecionar e arrumar e se desfazer de tanto troço, fico toda arrepiada. Putz… Divaguei de novo. Começarei mais uma vez. Agora vai.

Achei uma porquinha na minha sala. Não uma porquinha de verdade. Quero dizer, não uma porquinha viva. É uma porquinha daquelas que servem para enroscar um parafuso. Uma porquinha até bonitinha, pequena, sextavada, cutcut mesmo. Como ela veio parar no meio da sala? Caiu de algum lugar e neste lugar há um parafusinho solitário, desprotegido, solto ao léu, chorando pela sua porquinha perdida. Me corta o coração pensar no pobre parafusinho pensando no porquê de ter sido abandonado pela sua amada porquinha. O que ele fez de errado? Por que ela foi embora? Nós éramos tão perfeitos juntos, nos completávamos, nos ajustávamos, éramos tão próximos um do outro e de repente ela foi embora.

Parafusinho querido. Não fique triste assim. Você não fez nada de errado, não entre nessa onda de culpa e remorso, tá? Estou ajudando a sua porquinha a voltar pra você. Ela não o abandonou, caiu no chão sem querer. Pode ter sido um movimento brusco, uma folga no aperto, mas foi um acidente. Ela sente saudades também e está doida para vê-lo de novo. Desde ontem estou procurando por você para juntá-los novamente e tenho certeza de que vou encontrá-lo. Você não pode estar muito longe. Ela está bem, guardadinha aqui em cima da mesa. Um pouco nervosa, preocupada com você, mas já falei pra ela que tudo vai dar certo. O amor de vocês é lindo, a maneira como convivem harmonicamente, cada um fazendo seu papel, sem nunca terem entrado em conflito. Ajustados num abraço bem apertadinho. É a perfeição que todos os amantes procuram e poucos encontram. Vocês encontraram. Foram feitos um para o outro e nada vai mantê-los afastados por muito tempo. Prometo que vou encaixá-lo na sua amada porquinha em breve.

Confie. Tenha fé. Não perca a esperança.

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