Fatinha

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Reencontros

In humor on 29/11/2009 at 8:33 PM

Querido Brógui

Há duas categorias de reencontros. Numa delas você dá de cara com uma pessoa que não vê há anos e um onda de felicidade toma conta do ambiente. Na outra, você deseja ardentemente fazer o tempo voltar para não estar naquele lugar, naquela hora, ou que sua cara tenha mudado tanto que o outro não lhe reconheça.

É impressionante como no primeiro caso a conversa flui como se os anos não tivessem passado, o riso impera, rapidamente se dá a atualização acerca do que cada um viveu, num atropelo de informações, pulando de um assunto para o outro e, em menos de meia hora, vem a despedida, a vontade de ficar mais um pouco, a troca de telefones e a esperança de que um dia, quem sabe, tenhamos tempo de nos falar de novo.

Na outra situação, em quinze longos e dolorosos segundos, eu já estava procurando a saída de incêndio mais próxima. Não encontrei. Respirei fundo e ofereci meu sofrimento pela paz mundial. Coloquei um sorriso de bolso na cara e fiquei esperando a bomba estourar. Mais quinze segundos, visualizei um buraco se abrindo no chão e eu por alí escapando, como nos filmes de assalto a banco. Outros quinze segundos, mentalizei a cabeça da pessoa explodindo. Quinze segundos, comecei a rezar para não sucumbir ao desejo de mandar a pessoa tomar no “orifício na extremidade inferior do intestino grosso, por onde são expelidos os excrementos”. Não teve jeito, tive que suportar heroicamente aquela bolha no calcanhar virar ferida. Os mesmos trinta minutos que no primeiro reencontro passaram tão rápido, no segundo pareciam se multiplicar. Finalmente, ela se despediu, tinha compromisso e estava atrasada. Ufa! Sobrevivi, mas não incólume. Ela insistiu para que desse o número do meu telefone. Tinha gostado muito de me ver e queria manter contato.

Que Deus tenha piedade da minha alma! Que eu não morra envenenada ao morder a minha própria língua! Que o celular dela caia no chão e apague meu telefone!

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7019 passos depois…

In humor on 27/11/2009 at 8:04 AM

Querido Brógui,

Meu celular tem um conta-passos. Ao final do dia tenho a exata noção se estou cansada mesmo ou se é frescura. Hoje bati meu próprio recorde, andei como uma camela – em se considerando que aqui no Rio o calor está senegalesco. Foram 7019 passos. De acordo com os cálculos de minha santa mãezinha, foram aproximadamente três quilômetros e meio. Gostei muito de saber disso porque estava me preparando para encarar a esteira e agora já mudei de ideia. Pra que me despencar para a academia se andei isso tudo, debaixo de sol, carregando uma bolsa com aproximadamente dois quilos? Sem contar que não almocei na rua porque não deu tempo e quando cheguei em casa não almocei porque deu preguiça. Por hoje, estou quites com balança.

PS: deixei você no vácuo esses dias porque ando porraqui de coisas pra fazer.

Eleições na OAB

In humor on 15/11/2009 at 11:26 PM

Querido Brógui

Ser advogado é, mais do que conhecer a lei, saber manipular as palavras. Advogado é a raça mais picareta que existe. Se conseguir escrever bem e falar bem, já tem meio caminho andado.

Estamos em época de eleições na OAB. Minha caixa postal vive entupida de propaganda eleitoral, recebo pelos Correios trilhões de jornaizinhos e panfletinhos, a cidade inteira tem estampada a cara dos candidatos. Uma chatice só, mas, tudo bem, a democracia, blá blá blá.

A coisa começou a ficar esquisita quando recebi um comunicado informando que “a Ilustre Colega deverá exercer o seu direito de voto no dia, horário e no local abaixo indicados.” Peraí! Fico toda arrepiada quando leio na mesma frase as palavras: “deverá” e “exercer o direito”. No meu singelo entendimento, há um certo nonsense quando tenho obrigação de fazer algo a que tenho direito. Meus direitos são garantidos, graças à Constituição, mas isso não quer dizer que tenho que exercê-los.

Na lei sempre são separados os direitos e os deveres, menos em se tratando do voto. Quando se fala em voto, vem atrelada a obrigatoriedade. Mas, como estamos falando em convocação feita pela OAB, não se menciona a compulsoriedade. Não vem escrito: “a Ilustre Colega é obrigada a votar.” Claro que não. A OAB não vai dar esse mole, vai brincar com as palavras para o remédio parecer ser menos amargo.

Tá bem, eu sei que a obrigatoriedade do voto não é invenção da OAB. Sei que se reproduz um modelo, mas esse modelo está errado. Se é democracia, por que o cidadão tem que votar, mesmo que não esteja a fim? E não me importa se não quer porque tem preguiça, porque tá fazendo sol e prefere ir à praia, se é porque não tem nenhum candidato que vá de encontro às suas convicções, ou porque acha que qualquer um que seja eleito será a mesma porcaria. Não me interessa. Eu posso, mas não quero. É simples assim.

Agora, fiquei danada da vida mesmo foi quando recebi uma mensagem pelo celular. Aí foi demais. Quem deu meu número para a criatura? Quem foi que autorizou o bonitão a me incomodar no sacrossanto recesso do meu lar, no domingo, só pra me lembrar que amanhã vou ter que me despencar pros quintos dos infernos, na hora do meu almoço, debaixo de sol, entrar numa fila e ainda ter que enfrentar cabos eleitorais risonhos, enfiados em seus terninhos, tentando me vender um candidato aos quarenta e cinco do segundo tempo?

Eu não tinha candidato, mas agora já decidi: meu voto, esse não leva. Abusado!

PS: não vou dizer o nome dele, tá? O cara é advogado, vai que resolve me processar porque o chamei de bonitão?

Recapitulando

In humor on 08/11/2009 at 9:06 AM

Querido Brógui

Deixe-me ver se consegui acompanhar os últimos acontecimentos que fariam corar Tia Zulmira:

O Supremo Tribunal Federal mandou cassar o Senador Expedito Júnior, de Rondônia, por abuso do poder econômico, ou seja, por ter praticado uma conduta comum no metier, mas ainda ilícita. O Senado Federal, capitaneado pelo bastião da moralidade Sarney, não cumpriu a ordem do STF. Isso não criou qualquer crise institucional, não significou desrespeito à Constituição da República, nem mesmo valeu um comentário do Caetano que, aliás, esculhambou Woody Allen porque ele é hétero demais.

O Secretário de Segurança do Rio de Janeiro disse que a cidade não é violenta e que em alguns bairros o índice de violência é igual ao europeu. Depois disse que não tinha dito exatamente isso, esquecendo que tudo tudo tudo é gravado hoje em dia.

O MST destruiu mais uma propriedade rural, incluindo construções, máquinas, sementes, objetos pessoais dos caseiros, móveis e utensílios domésticos e tudo o mais em que conseguiram pôr as patas. E nada aconteceu. Nem um tapinha na mão ou um puxão de orelha. O que exatamente vandalismo tem a ver com reforma agrária?

Lula disse que as drogas existem porque existem viciados. Ué… eu achava que os viciados existiam porque existiam as drogas.

Um ex-BBB, que já havia anunciado sua intenção de ingressar na política (!), lançou essa semana um funk (!). Conta com uma partner, que dança a coreografia (!): a mulher-múmia (!).

Esqueci algo?

Faith No More

In humor on 07/11/2009 at 11:47 PM

Querido Brógui

Fui ver o Faith No More, assumindo minha nova faceta roqueira – antes tarde do que nunca. Como sou uma recém-convertida, não conhecia todas as músicas, mas isso em nada atrapalhou, só não pude cantar junto, como a maioria dos fãs o faz. Na verdade, na verdade, a única que gritei uhuu quando começou foi Epic – também, quem não conhece essa? Até liguei pro Bão pra ele ouvir. Celular, nessas horas, é uma mão na roda.

A banda é ótima, mas o vocalista é uma atração à parte. Na maior parte do tempo ele fica andando em círculos pelo palco. O andar dele lembra o de Jack Nicholson em “O Iluminado”. Até procurei me informar se por acaso Mike Patton tinha algum problema na perna, mas me disseram que não, era estilo. Ah, tá.

Agarrado ao microfone, o vocalista urrava, berrava, gritava. Não sei como a garganta dele agüenta. Definitivamente, nosso aparelho fonador não foi moldado para tamanha agressão. Eu, professora, cordas vocais mais pra lá do que pra cá, fiquei rouca só de ouvir.

Também gostei dele porque fala português. Acho muito atencioso e educado os estrangeiros que ao menos se esforçam para se comunicar com os nativos e até que ele fala direitinho, conhece os palavrões mais usados e tudo. A figura é carismática, pena que tentou cantar “ela é carioca, ela é carioca…” Além de desafinado, entrou fora do compasso, no meio de uma música que não tinha nada a ver, mas isso fez com que os fãs entrassem em êxtase. Fã suporta tudo, acha tudo lindomaravilhoso, até quando os agudos estouram seus tímpanos. Sei não, mas alguém tinha que pagar uma real pro cara e dizer que cantar não é sua praia. Ele é vocalista, não cantor. Cada macaco no seu galho.

Fiquei morrendo de pena porque o bichinho suava, suava, suava. Será que ninguém avisou que aqui na terrinha faz um calor dos infernos? O pobre, de mangas compridas, calças compridas, sapatos, derretendo no palco. De vez em quando ele se agachava, acho que pra descansar ou beber alguma coisa. Juro que pensei que uma hora ele não ia conseguir se levantar mais, entretanto, ele suportou bravamente a sauna, com o maior bom humor, deu bis, deu tris, atendeu a pedidos. Simpático, não?

Não pulei como gostaria. Meu joelho ainda sofre os efeitos da última presepada no show dos Paralamas. Mas agüentei firme, balançando a cabeça e me diverti de monte. No dia seguinte acordei estragada, como sempre, mas feliz, como sempre.

PS: o vídeo é do show da banda aqui no Rio, apresentando Epic.

São Pedro no banco dos réus

In humor on 02/11/2009 at 9:58 PM

Querido Brógui

Relutei um pouco em escrever essa edição porque, dessa vez, não consegui achar graça na desgraça.

Sábado foi a festinha de aniversário de meu sobrinho. Três aninhos. Como Bão mora em Vila Velha, precisávamos pegar um avião, de ônibus fica muito sacrificante para meus pais – e para mim também, confesso. Passagem comprada com antecedência, presentes idem. Não fomos.

Desde quarta-feira, o aeroporto de Vitória encontrava-se fechado por falta de teto. Não sei se já abriu, agora não me interessa mais. Meu irmão tentou voltar no meio da semana para casa e acabou tendo que encarar o ônibus mesmo. Chegou a ir, o piloto tentou pousar lá, mas como não conseguia enxergar a cabeceira da pista, arremeteu, deu meia volta e aterrissou no Galeão. Meno male, Irmão voltou são e salvo. Em tempos de desastres aéreos, isso foi uma bênção.

De todo jeito, parece-me um absurdo um país que pretende sediar uma Copa do Mundo – ninguém fala disso – e uma Olimpíada – todo mundo só lembra disso -, tenha um aeroporto que não opera por instrumentos. É, essa foi a justificativa para que não houvesse nem pouso nem decolagem por um lapso temporal tão longo. Foram dias, não horas. Ou seja, ou o piloto vê a pista, ou não tem jeito, não pode ser orientado pelos operadores de vôo. Inacreditável. E se o combustível não der pra voltar de onde veio? E se tiver que pousar de qualquer jeito por causa de uma falha mecânica? E se tiver um passageiro morrendo? E aí?

O fato é que perdemos o aniversário do moleque. Quem vai pagar por isso? Pensei em processar a Gol, mas realmente a empresa aérea não tem culpa do mau tempo. Depois pensei na Infraero. Vão dar a mesma desculpa e aí eu vou ter o maior trabalho para provar que o aeroporto deveria ter equipamentos modernos e não tem. Sobrou pra São Pedro. Como faço pra botar o santo no banco dos réus?

Não tem jeito. Acho que vou ter que confiar que no dia do juízo final, na hora do acerto de contas, São Pedro se lembre de botar isso na coluna dos créditos. Tenho muitos débitos a serem compensados.

PS: nem vou comentar aqui que o que gastei de táxi dava pra comprar uma passagem aérea, passo mal só de lembrar.

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