Fatinha

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Descansar pra quê 2. A saga continua.

In humor on 27/08/2012 at 4:55 PM

Querido Brógui,

Conheço você. Sei que ficou morrendo pra saber como foi o meu domingo e torcendo pra ele ter sido o pior possível pra poder rir da minha cara. Não tem problema, não. Eu também adoro rir de mim.

Então… Acordei, revi mentalmente minhas pendências urgentes. Coloquei em ordem de crescente de importância. Comprar umas coisinhas no mercado pro meu lanche da semana. Comprar colírio e pasta de dente. Comprar um frango na padaria. Desmontar o desktop e instalar a impressora, a internet e o roteador no note. Malocar os restos mortais da máquina. Fazer as unhas. Não, melhor lavar o cabelo antes. Não, melhor ir à academia antes. Beleza. Tudo no esquema.

9:00. Mercado, farmácia, padaria.

11:00. Já estava em casa atracada com a máquina. Tudo correu muito bem, até que eu resolvi esvaziar um movelzinho que ficava encostado no canto da parede com a impressora matricial já morta. Moleza: é só tirar a falecida e guardar na parte superior do armário. Peguei a escada, olhei o espaço. Não vai caber. Vou ter que dar uma arrumada aqui. Volto ao móvel. Papel no lixo, papel no lixo, papel no lixo. Sobraram algumas coisas. Olho para a estante. Se eu subir uns livros, desocupo umas duas prateleiras. Vai dar. Peguei escada. Aqui em cima está imundo. Peguei vassourinha, pá, espanador. Desci da escada, peguei livro, subi escada. Fiz isso umas duas centenas de vezes. Reorganizei aquele pedaço da estante coloquei o movelzinho pra fora. Mas o resto está bagunçado! Tirei tudo, passei flanela, joguei papel no lixo, papel no lixo, papel no lixo. Contagem: quatro sacolas cheias.

19:00. Unhas imundas, cabelo desgrenhado, pernas cabeludas, sobrancelha de Fiona. Depois da faxina no quarto, faxina corporal. Academia, nem pensar.

22:00. Vou deitar, mas, antes, pegar meu copinho d’água. A pia ainda estava com a louça suja do almoço. Só não quebrei todos os pratos porque não ia ter tempo de comprar outros. Lavei aquilo tudo, parecia que um batalhão de famélicos havia passado por lá. Peguei meu copinho, abri a geladeira. Não havia água potável. Todas as garrafas vazias. Joguei tudo na pia, peguei água do filtro.

23:00. Caminha. Ainda bem que hoje eu viria trabalhar. Preciso de um merecido descanso.

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Descansar pra quê?

In humor on 27/08/2012 at 2:31 PM

Querido Brógui,

Final de semana, depois de uma semana de corno, trabalhando como um corna, dormindo menos que um corno merece. Na sexta, Tigrão começou novamente a fazer ploc-ploc, o que me deixou preocupada. Troquei amortecedores e braço axial não fazem nem dois meses. Já deu pau novamente? Vou ter que ver isso amanhã. Cheguei da escola, refiz mentalmente o planejamento do sábado incluindo uma visita à oficina, perguntando-me se ia dar tempo pra ir ao mercado, farmácia, pintar o cabelo, academia, shopping e DORMIIIIIIIIR. Achei que dava.

Pela manhã, fui, muito aborrecida, levar Tigrão pra ver o ploc-ploc. A senhora pode dar uma voltinha comigo? Tudo bem, do jeito que a coisa anda, dar uma voltinha com um mecânico é o mais perto de um encontro que tenho há meses. É o amortecedor traseiro, diagnosticou. Putz! Eu nem acabei ainda de pagar o dianteiro! Pode fazer. Três horas depois de estar sentada numa confortável cadeirinha de pé quebrado e sem encosto – sorte que levei meu Kindle – o cara deu o serviço por terminado.

Paguei, dividi em quatro vezes, nem cheguei na esquina e já ouvia o mesmo ploc-ploc. Dei a volta no quarteirão e falei, rosnando, para a recepcionista sorridente: “O barulho continua.” Vou chamar o Antônio. Antônio veio, se meteu na mala do carro e pediu pra dar outra volta com ele. Pronto! Só me falta agora ser parada pela polícia porque estou carregando um corpo na mala. Continuou ouvindo o barulho na roda traseira, mas resolveu desmontar a dianteira. Lá estava o problema.

Futuca daqui, futuca dali, eu, grudada no cara qual um carrapato faminto, fiquei fiscalizando. Serviço terminado, outra voltinha com Antônio – já tava quase pedindo ele em casamento. O problema era no amortecedor dianteiro, que ainda estava na garantia. A pergunta que não quer calar: quer dizer que gastei quinhentos reais à toa? Não senhora. O amortecedor traseiro já estava precisando ser trocado mesmo. É. Mas não precisava ser hoje, acabando com meu sábado e meu humor.

Às quatro horas estava em casa. Todo o meu planejamento para o dia foi por água abaixo, ficou pro domingo. Mas aí fica para o próximo post, porque se você acha que meu sábado foi triste, quando souber do domingo, vai chorar no cantinho.

Acidentes domésticos

In humor on 06/08/2012 at 11:27 AM

Querido Brógui,

Eu sempre disse pra você que – diferentemente do que a maioria acredita – a nossa casa não é o lugar mais seguro do mundo. Há centenas de perigos que assombram qualquer lar, perigos dos quais nem mesmo suspeitamos. É dentro de casa que crianças bebem água sanitária, enfiam dedo na tomada e se atiram pela janela. É dentro de casa que os idosos quebram a perna, tropeçam nos móveis e escorregam no banheiro. Pois é, é dentro de casa arrumo meus hematomas, escoriações, queimaduras, unhas quebradas, cortes e outras coisitas mais.

Ontem foi o dia. Começando por espirrar gordura quente na minha cara ao fazer uma simples farofinha pra acompanhar o tradicional frango de padaria. Não sei quanto aos moradores de outras localidades, mas, aqui em Vila Isabel, nove entre dez famílias comem frango de padaria no domingo. São filas monstras e os estabelecimentos fornecedores da iguaria tentam conquistar a clientela com algum diferencial – que não é aquela farofa horrorosa que todos oferecem. Temos frango com fritas, frango com arroz, frango com arroz e fritas, frango inteiro, frango mutilado, frango torrado, frango quase cru, com linguiça e por aí vai. Daí, eu me encarrego de providenciar a farofa e, logicamente, o macarrão. Sim. Nove entre dez famílias de Vila Isabel comem, no domingo, frango de padaria com farofa e macarronada – com molho pronto, de preferência, que ninguém tá aqui pra esquentar o umbigo no fogão dia de domingo. O fato é que eu fiquei com o pescoço salpicado de gotinhas de gordura quente – fui rápida pra tirar a cara da reta, mas ainda assim…

Ao cair da tarde, fui lavar a louça do almoço e fazer um café. É. Isso mesmo que você entendeu. No final da tarde, depois de tirar um cochilo, ver competições olímpicas na televisão, fazer as unhas, ir pra academia. Pra otimizar o tempo e minorar a faina, coloquei a água pra ferver, arrumei a tripeça em cima da garrafa térmica, coloquei o pó e comecei a lavar a louça. É tudo cronometrado. Dá pra ensaboar tudo enquanto a água ferve, depois é só despejar a água no filtro e enquanto o café passa, vou enxaguando a louça. Perfeito, se eu não metesse o braço na garrafa e derramasse água fervendo na pia, no chão, no fogão, no teto e, logicamente em cima dos meus braços – veja: dos meus braços. queimei os dois. Gritei por socorro e lá veio minha santa mãezinha limpar a lambança enquanto eu tratava de colocar gelo nas queimaduras – aprendi na televisão que é bom resfriar as partes queimadas. Tudo sob controle, fui tomar banho.

Ok, correu tudo bem, até eu resolver abrir a porta do armário do banheiro, que veio na minha testa. Soltou o parafuso da dobradiça. Gritei novamente e lá veio mamãezinha me salvar. Entrou no banheiro com os olhos arregalados e quando viu a cena, começou a rir. Mandou eu ir nos Capuchinhos. Fui pegar a chave de fenda pra soltar o outro parafuso da porta. Tive que fechá-la para executar a manobra e, por óbvio, o fiz no meu dedo.

Gelo nas queimaduras, gelo na testa e gelo no dedo. Agora diga-me com sinceridade: o ambiente doméstico é salubre?

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