Fatinha

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Tá chegando a hora

In humor on 31/01/2010 at 4:37 AM

Querido Brógui

Já está quase chegando ao fim a minha viagem. Nao sei se terei oportunidade de falar com voce antes de chegar ao Brasil, entao aproveito para recomendar que pare de gastar dinheiro com besteirinhas e junte para passear. Nao precisa dar uma de doida como eu fiz, que nunca comeu melado e se lambuzou, mas se fizer um terco do que fiz, ja tá bom pra caramba.

Meus comentarios sobre a viagem vao perdurar por mais algum tempo, mesmo depois de minha volta. Tem coisas que preciso contar, mas com calma, sem ficar olhando pro relogio com medo de ser chutada da lan house a qualquer momento.

Estou exausta, nao aguento nem um gato pelo rabo e morrendo de pena de acabar o passeio, mas ao mesmo tempo feliz de estar acabando. Como diz minha santa maezinha, o melhor da viagem é voltar pra casa.

Aproveitei o que pude, fiquei me devendo um monte de coisas que nao deu tempo de fazer, me aborreci algumas vezes, mas realizei um sonho antigo. Vivi milhares de novidades , gastei até meu ultimo centavo, mas, afinal, o que se leva dessa vida? A vida que a gente leva.

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Em Madrid

In humor on 29/01/2010 at 4:35 AM

Querido Brògui,

Cheguei a Madrid e de cara me apaixonei. Por que ?

Nao me perdi no aeroporto, achei direitinho o caminho do metro, que è longe pra caramba, mas nem precisei andar muito, TEM ESTEIRAS ROLANTES!!!!!! Comprei o bilhete e, para descer atè o buraco, TEM ESCADAS ROLANTES!!!!!! Quando cheguei ao meu destino, MAIS ESCADAS ROLANTES!!!!!! Na ùltima subida, olhei para o lado e nao vi as ditas. Pensei que nada era perfeito, mas… era perfeito: TINHA UM ELEVADOR!!!!! È ou nao è para se apaixonar pela cidade?

Sò precisei arrastar a mala atè o albergue, o que è fichinha perante o tanto que jà arrastei a tal Europa afora.

Aliàs, por falar em mala e peso, penso que as balancas dos aeroportos sao viciadas. Deixei quase todas as minhas coisas na casa da Cissa, que nem um balao largando lastro pra subir. Fiquei com a roupa do corpo e nada mais. Atè minhas Havaianas larguei pra tràs. Quando pesei a mala, ainda tinha excesso de peso! Como pode isso? O cara aliviou, mas ficamos bestas de ver. Cissa è testemunha que nao tem tanta coisa na mala, nao comprei quase nada e a bicha continua com mais de vinte quilos. Quem explica?

Bien, novamente ouvindo espanhol e tentando me comunicar. Com uma fome negra, entrei num Burguer King. A mulher do caixa me deu o maior esporro porque nao entendia “brasileiro”. Por acaso, uma brasileira trabalhava là e me ajudou. Agora me diga: nao è mà vontade? Qual è a dificuldade em entender: “Um long chicken e uma coca?”. Fala sèrio! A dona ficou me dando a maior esculhambacao em espanhol e, para meu azar, eu entendi. Respondi em “brasileiro” e ela ficou mais irada ainda. Sai da lanchonete antes que ela chamasse a policia.

Bem, continuo gostando do lugar, a internet è baratinha, cinquenta centimos por meia hora. Pra quem pagou seis euros em Roma, tà de graca. Vou para o albergue esperar HL chegar. Pelo menos ela fala “brasileiro”.

Bjs

Paz

Minha pátria é minha língua

In humor on 27/01/2010 at 8:26 AM

Querido Brógui,

Estou em casa… de Cissa. Em Portugal, mas em casa de brasileiros, ouvindo português, me sentindo menos estrangeira do que no último mês. A língua é minha pátria e não há mais bonita que a língua portuguesa.

É, Brógui, faz um mês que estou na estrada, longe da minha terra brasilis, vendo o velho continente. Muito bom, mas estou sentindo falta da minha caminha. Minhas mãos estão cheias de calos de tanto arrastar mala, minhas unhas não existem mais, quebraram todas e desisti de tentar arrumar. Meus cabelos brancos estão felizes, respirando sem tinta. Estou com uma baita de uma alergia à tal da segunda pele, pareço uma crocodila. Depilar as pernas? Nem sei mais o que é isso. Quando chegar ao Brasil, precisarei de uns quinze dias pra ficar novamente com cara de gente. Mas faria tudo de novo.

Hoje vi uma apresentação de fado depois de subir no elevador Santa Justa que leva da Baixa para o Chiado. O elevador é a coisa mais fofa, de madeira, com um ascensorista que o manipula com uma manivela.  Ontem fui ao Santuário de Fátima, na minha peregrinação religiosa, depois de nos perdermos mesmo tendo ajuda da Amália, o GPS da Cissa. A pobre ficou estressada conosco. Quase pediu as contas. Amália fica falando o tempo todo, dizendo pra onde ir e mesmo assim deu zebra.

Sintra é uma gracinha, Batalha também, Lisboa idem. Comi os famosos pastéis de Belém e agradeci por não morar aqui, ia virar uma baleia. Em terras lusas, bacalhau é o prato do almoço. Sempre. Ontem pulamos essa parte, não deu tempo de comer. Estou matando a Cissa, coitada. Fica andando comigo e como eu não paro nem pra comer, a pobre é obrigada a passar fome. E andar. E subir escadas. E subir ladeiras. Ela já deve ter colocado a vassoura atrás da porta pra ver se consegue descansar um pouquinho.

Amanhã é meu último dia na terrinha. Acabou a moleza, vou começar novamente a arrastar a mala, dormir em hotel e falar espanhol. Depois francês de novo. Aguarde os próximos capítulos.

PS: Essa ediçao é dedicada à Lelê, à Luzinha e à Claudinha, cachopas que moram no meu coração. E à Cissa, claro.

PS 2: Juro que não vou contar piadinhas de português, mas a lógica dos patrícios é sui generis. A maioria dos restaurante fecha pro almoço. Sério.

No aeroporto

In humor on 22/01/2010 at 7:23 PM

Querido Brogui

Estou no aeroporto de Barcelona aguardando o voo para Lisboa, onde vou ficar na casa da Cissa (casa, comida e roupa lavada de graça). Cheguei hoooooras antes, fico meio estressada de me perder, me atrasar. Ontem, no meio de La Rambla, cismei que o voo era ontem e que havia perdido. Meu coraçao disparou, peguei o tiquete do onibus para ver em dia estava. No final, falei para mim mesma que se tivesse perdido, o maximo que iria acontecer era ter que comprar outra passagem. Relaxei e comi um churros com chocolate.

Vim de trem para o aeroporto. Fala serio! Para arrastar uma mala e uma mochila pesadissimas pela rua, tem que ser atleta. Pelo menos para isso serviram anos de academia. Cheguei na boca da estaça Clot, mirei as escadas. Bem, pra baixo, todo santo ajuda. Como nem todos os santos estao a meu favor, tive depois que subir. Ate ai, tudo bem, meus braços estavam quase se desprendendo do corpo, mas tive forças para comprar o tiquete de embarque.

Desci mais trezentos mil degraus, fiquei esperando o trem, que chegou rapido. Quando olhei que tinha que subir tres degraus para entrar no trem, quase chorei. Respirei fundo, atirei a mochila dentro do trem, agarrei a alça da mala e… cai no vao entre o trem e a plataforma! Foi so uma perna, mas o suficiente para o panico se apoderar de mim.

Agarrada na alça da mala, deitada de costas como uma tartaruga capotada, a perna no vao, gritava: ” Ajuda me , ajuda me !!!!” Um senhor me levantou, um rapaz pegou minha mala, outro me puxou para dentro do trem. Ta tudo bem, o saldo final foi uma dor no cotovelo, fora a perda da dignidade.

Desci do trem direitinho, espertamente pedi a um rapaz que carregasse minha mala para fora. Peguei um onibus que faz conexao com o aeroporto e aqui estou. Ja fiz o check in, fui ao banheiro e agora e so esperar. Meus  braços ainda estao tremulos por carregar tanto peso. A mala esta com 25 kl, ou seja, com excesso. Cinco euros por quilo. Puxei a carteira, mas ainda bem que o rapaz do check in quebrou meu galho e nao cobrou os cinco quilos extras. Creio que foi com a minha cara porque perguntei se ele entendia portugues e ele disse que sim, pero no hablava. Disse a ele que era como eu, compreendia espanhol, pero no hablava. 

Vou indo. Pra variar, de olho no cronometro dos minutos caresimos para usar a internet.

Agora, falo com voce de Lisboa. Internet por conta da Cissa. hehehe

6000 kilometros depois

In humor on 21/01/2010 at 4:17 AM

Querido  Brogui

Seis mil km depois, a excursao que peguei em Paris, acabou. Foram dias e dias arrumando e desarrumando mala, quebrando os ossos dentro de um onibus e com passagens meteoricas por um monte de lugares. Agora, larguei a excursao e estou em Barcelona, onde fico ate amanha e depois sigo para… nao vou dizer, surpresa!!!!!

Para quem perguntou se estou andando sozinha, estou. Havia um grupo na excursao, mas a maior parte do tempo andei solo, o povo e muito molenga e eu ando como uma camela. Nao da pra ficar esperando e eles nao aguentavam meu ritmo.

Bien, quedo me em sitio espanhol. O hotel e simpatico, os recepcionistas nao dao na cara da gente como os italianos. A calefacao funciona e nao tive que me empanar em dois cobertores como em Roma. O banheiro tb nao ficou alagado depois do banho. Contei que o banheiro do hotel em Roma alem de minusculo, com box de cortininha, tinha o ralo entupido? Fedia a esgoto e quando acabava o banho estava mergulhada numa piscina nojenta. Por pouco nao tomei banho de botas! Isso sem contar que a cortininha ficava colando na minha bunda o tempo todo!

Hoje andei aproximadamente oito horas seguidas e, quando sentei um pouquinho em La Rambla pra tomar uma coca cola light, meu corpo comecou a ficar pesado. Lembrei de Jesus quando ressuscitou Lazaro e disse para mim mesma: “Levanta te e anda!” Levantei, achei o onibus direitinho. Hoje nao me perdi nem uma vez. Tudo bem que nao sabia exatamente onde estava, mas sempre achava o ponto de referencia que era a tal da La Rambla.

Comecei pela igreja da Sagrada Familia, iniciada por Gaudi e que esta em obras (sempre esta em obras). Aquilo e uma loucura, duvido que fique pronta um dia. Ha mais de cem anos que esta sendo construida e o pobre do Gaudi morreu sem ver nem metade pronta. Alias, Gaudi era louco de pedra. Soube que morreu num hospital de meia pataca e ninguem sabia quem ele era porque andava sem dinheiro e sem documentos de identidade. Quando sumiu, demorou para ser procurado e encontrado pq tampouco tinha amigos ou familia. Tambem nao gostava de tirar fotos, entao ninguem sabia como era a cara dele. Pode? De todo jeito, a igreja e espetacular, subi ate a torre, desci por umas escadinhas estreitas, respirei cimento ate dizer chega.

Depois rumei para ver a tal da La Pedreira. Uma casa construida por Gaudi e que foi inspirada numa pedreira. Toda a obra dele era inspirada na natureza. Genial. Comprei dois livros com fotos (e, como boa corna, carreguei os dois o dia inteiro. Vai ser burra assim no inferno! Pq nao comprou na hora de voltar para o hotel?)

Marchei para o La Rambla e adjacencias, bairro gotico, o porto. Me meti por umas ruelas e me deu um certo medo de ser atacada. Paranoia carioca.

Entrei numa lojinha porque vi uns tenizinhos parecidos com umas sapatilhas. Experimentei, gostei e na hora de pagar, olhei bem e tinha uma bandeirinha do Brasil costurada. Perguntei pra vendedora se era produto brasileiro. Ela disse toda feliz: “E do Rio!” Me desculpei e falei que tambem era do Rio e nao ia viajar pro outro lado do oceano pra comprar um tenis brasileiro. So me faltava essa!

Nao consegui ainda comprar recuerdos para voce. Nem fique esperando porque nao vai rolar nada. Nao da tempo de procurar e nao vou carregar uma parada que posso comprar ai no Brasil mesmo. Pensando bem, e uma boa ideia. Quando chegar compro umas quinquilharias na rua da Alfandega e digo que e da Europa. Vc nem vai perceber.

Vou indo, tenho que comer. A excursao acabou e nao tenho direito a jantar no hotel. Vou catar alguma coisa aqui por perto.

Bjs

Paz

Ainda em Roma

In humor on 18/01/2010 at 4:10 AM

Querido Brogui,

Hoje nao me perdi aqui na cidade. Peguei o onibus direitinho, desci no lugar certinho, fui o-bri-ga-da a passar de novo pela Praca de Sao Pedro e pelas colunas enormes que a circundam. A fronteira do Vaticano com a Italia e marcada com uma linha branca pintada no chao. Bonitinho, nao?

Tambem tive que dar de cara com o Colosseu de novo, mas nao fui ate la, subi o tal do monumento a … esqueci o nome do heroi nacional, mas e um predio lindo e enorme que foi projetado inicialmente por Michelangelo para abrigar uma estatua equestre. Parece aquela piada do cinzeiro novo, lembra? Subi milhoes de degraus, rodei pra la, pra ca, descobri a Catedral de Regina Coeli que fica colada na parte de tras,  assisti uma missa em italiano, sai pela parte de tras, entrei num museu, vi a estatua de Romulo e Remo (muito legal ver ao vivo o que so conhecia nos livros de Historia), uma esposicao de rabiscos do Michelangelo e umas trezentas estatuas gregas e romanas, incluindo a tal do cidadao montado num cavalo (vai gostar de estatua esquestre assim no inferno!).

No almoco comi a mais cara e pior pizza da minha vida!!! Veio com pouco recheio e dura como uma pedra. Acho que deve ter sido feita por Michelangelo. Quase pedi uma serra eletrica para poder cortar. Como estava com pressa, nao reclamei, meti o maozao e comi como uma selvagem (fiquei com medo de quebrar um dente, mas a fome era negra e o dinheiro ja havia sido gasto, nao ia jogar fora).

Por falar em meter o maozao, os italianos sao meio broncos, mas pelo menos usam luvas ou guardanapos na hora de servir o panini. Meno male.

Continuando…

Quando vi estava num sitio arqueologico que compreende o Monte Palatino, uns templos, uns restos de palacios, a Via Sacra, um Arco e outras coisitas mais. Uma area enorme. Entrei no tal do sitio e andei como uma corna. Subi mais dois milhoes de degraus, ladeirinhas e, ao final de duas horas, minhas pernas estavam no piloto automatico (ja estava andando desde as dez da manha e ja eram quatro da tarde).

Fui expulsa do sitio, estava na hora de fechar. Tudo fecha cedo, acho que e porque escurece cedo. Pedi de joelhos para a moca para tirar uma fotinho de um arco que nao consegui chegar perto (pra vc ver como a parada e grande). Ela deixou e ficou toda feliz porque agradeci em italiano (to poliglota, Brogui).

Amanha sigo viagem. Quando der, escrevo de novo.

PS: Obrigada pelas mensagens, da um calor no peito quando as leio… Nao estou respondendo a todas pq os minutos de internet aqui sao exorbitantemente caros.

Quem tem boca anda em Roma

In humor on 17/01/2010 at 4:40 AM

Querido Brogui

Mudei um pouquinho o ditado popular porque ja estou em Roma, mas hoje dei um perdido no pessoal da excursao (um monte de cucarachos) que queriam voltar ao hotel as quatro da tarde depois de passear pelo Colisseo. O que? Ja que estou aqui, vou me largar na cidade. Consegues volver? Seguro que si? Ta tudo dominado, respondi eu.

Vi os restos de umas termas, os restos do Senado, os restos do Monte Palatino. Coloquei as maos nas ruinas e, claro, chorei um pouquinho, como chorei de manha no Vaticano. Na Capela Sistina, so nao consegui deitar no chao pra ver os afrescos do Michelangelo porque tinha um seguranca me vigiando. O cara era um estressado, coitado. Nao e pra menos, ficar o dia inteiro dizendo: “No fotos, no fotos, no fotos…” Ele ficava andando pra la e pra ca como um pastor alemao e ainda fazendo “shhhhhhh!!!!!!” Quando entrei na Basilica, meus olhinhos ficaram marejados. E estonteante de bonita. Quando sai, para a praca, olhei para tras e vi a fachada… E indescritivel. Da vontade de ficar sentada, olhando, olhando, mas a guia gritou no microfone: “Bamos, bamos, bamos!!!”

Ontem fui a noite na Fontana de Trevi, joguei moedinha, chorei, fui ao Panteao, chorei de novo e assim sigo me derramando.

Pq o titulo e “quem tem boca anda em Roma”? Pq obviamente eu nao sabia voltar para o hotel. Perguntei pra um, mandou pegar um onibus. Perguntei pra outro e assim fui ate chegar ao destino. Botei a cabecinha de lado, fiz cara de coitadinha, falei em ingles, em espanhol, em italiano, em portugues, acabei por me fazer entender. Peguei ao todo cinco onibus (a vantegem que o bilhete vale por setenta e cinco minutos). Quando vi o hotel, falei pra mim mesma: “Eu sou f…!”

Por falar em hotel, e um estabelecimento meia bomba. Ontem quando acabei de tomar banho, o banheiro tinha virado uma piscina. Descobri entao porque o comodo tinha cheiro de esgoto, o ralo nao escoa a agua. Dois palavroes depois, joguei a toalha de banho no chao e sequei aquela merda. A calefacao nao existe, o quarto e uma geladeira. De madrugada liguei pra recepcao pedindo outro cobertor e so ficava repetindo para o cara: “Is too cold, is too cold.” Ele mandou outro e consegui dormir.

Estao me chamando para la cena, ou seja, para jantar. Espero que nao seja pasta de novo. To me entupindo de massa, voltarei qual uma orca para o Brasil.

Alias, os Broguis que estao reclamando do calor na terrinha nao sabem como e bom um solzinho. Aqui em Roma fez sol hoje e fiquei no Colisseo, sentada numas escaleras, lagarteando. Foi muito bom, sentar ali, no meio da Historia, tomando uma coca light e  esquentando os ossos.

Em Veneza

In humor on 14/01/2010 at 5:12 AM

Querido Brogui

Depois de uma passagem meteorica por Frankfurt, Heidelberg, Friburg, Strasburg e Zurich, desemboquei finalmente em Veneza. Tambem pus os pes rapidamente em Milao e Verona.

As primeiras cidades que mencionei, sao fofissimas, parece tudo casinha de boneca e, se eu falei em neve em Londres e Paris, esquece. Neve mesmo e na Alemanha e Suica. Neve de atolar o pe, neve de fazer montinhos, com direito aquele tratorzinho que limpa as ruas. Nao se preocupe, nao senti frio, como ja disse, basta nao ventar que da pra aguentar direitinho.

Em Milao, dei de cara com os italianos. Que belos! Que belos! Mas nao dava tempo para admirar essas belezas naturais, tinha trinta minutos para ver a catedral que e uma coisa de louco! Toda de marmore. Fiquei embasbacada so olhando a fachada, isso depois de dar um ole num cara que queria me vender umas pulseirinhas. Olhei bem pra cara do negao e disse em portugues: Meu irmao , eu sou do Rio, nao vem querer me enrolar. Ele olhou pra minha cara e saiu de fininho. Nao entendeu o que eu disse, mas nada como uma entonacao malandro agulha pra intimidar esses picaretas. Bem, voltando a Catedral, mais uma vez meus olhos se encheram de agua.

Nao comentei com voce que sou uma chorona de museu. Nao choro por qualquer coisa, mas me coloca dentro de um museu, de uma igreja bonita, que me derreto toda. Hoje foi a mesma coisa quando entrei na Basilica de Sao Marco, em Veneza. Tenho que disfarcar pra ninguem ver que estou chorando e ter que explicar o porque. Chorei no British Museum, chorei no Louvre, chorei em Notre Dame, e assim vou despejando minhas lagrimas Europa afora. Ter contato com tanta coisa bonita, tao antigas, que sobrevivem a acao do tempo e do Homem, e algo que me toca.

Andei de gondola. Pechinchei com o gondoleiro, puxei da carteira metade do valor que ele havia me cobrado e la estava eu, com aquele italiano maravilhoso passeando pelos pequenos canais venezianos. Logicamente meus olhinhos ficaram marejados de novo. Ele nao cantou pra mim, mas me cantou. Perguntou se eu ia ficar por aqui essa noite e marcamos um encontro (ao qual nao vou, o hotel fica muito longe, fora da cidade). Me lembrei daquela musica que diz “um amor em cada porto”. Em Londres tambem deixei um me esperando. Fazer o que? Quem manda ser garota carioca suingue sangue bom?

Depois fiquei circulando pela cidade que e linda, linda. Umas ruelas pequenas que desembocam em largos, depois mais ruelas e mais casinhas com aquela cara de que vao despencar a qualquer momento. Fiquei louca pra comprar uns cristais de murano, mas nao quis arriscar ficar arrastando cristais pra la e pra ca. E as mascaras? De ficar vesga de tao bonitas.

Vou cortar o papo por aqui. So tenho direito a trinta minutos de internet, depois vao me cobrar os olhos da cara por cada minutinho e preciso dos meus olhinhos para seguir viagem e chorar mais um pouquinho.

Bjs

Paz

Paris, alguns graus abaixo de zero

In humor on 09/01/2010 at 1:55 AM

Querido Brogui

Estou em Paris, catando milho numa meleca de um teclado q tem todas as letras fora do lugar.  Aqui tq um frio de quebrar os dentes. Entrei nessa lan house pra ver se me esquentava, mas aparentemente ta rolando uma economia de energia. Nao sei se boto as luvas, se teclo, ta um problema serio.

Fui ate a Torre Eiffel, mas foi dureza aguentar o vento na lata. Fiquei mais tempo na fila que la em cima. A vista deve ser bonita, nao sei direito, nao parava de lacrimejar – nao de emocao, por causa do vento mesmo. Hj nao nevou por aqui, mas o q mata e o maldito vento. Enquanto estava na fila, senti meus pes ficarem dormentes e a dormencia foi subindo ate minhas maos. Pensei: vou morrer. Pedi para a mexicana q estava perto de mim para mandar meu corpo para o Brasil, dentro de um forninho. Ela se acabou de rir. N sei se entendeu a piada ou riu de nervoso.

Ontem demorei para chegar na cidada das luzes. O Eurostar parou de funcionar por algumas horas. Quando o primeiro trem saiu, eu o  perdi, entrei no trem errado. Tive que desembarcar, trocar o ticket, esperar mais algum tempo. Dei de cara com um seguranca da estacao que era brasileiro e ele me ajudou. Resultado: so cheguei ao hotel a noite,  perdi o dia inteiro nessa novela.

Larguei as malas no quarto e desci pra telefonar pra mamae e comer. Naquela friaca, tropecei num Mc Donald. Nao gosto de hamburguer, mas a linguagem internacional da franquia falou mais alto. Imagina eu ter que ler algum cardapio em frances? Entrei na fila, apontei para o sanduiche, para a batata frita, disse merci e pronto. Duro foi pedir sal. Mas um frances lindinho me ajudou, nada como fazer cara de cachorro q perdeu a coleira.

Estou adotando alguns habitos europeus, como por exemplo, usar blusa vencida.  Nao trouxe muita coisa, estou colocando uma por cima da outra, nao da pra lavar direito. Lavo o tecido q fica em contato com as axilas e mando ver no outro dia. Fique tranquilo, ainda estou usando meias e calcinhas limpas, a nojeira ainda nao chegou a esse ponto.

Por falar em nojeira, pedi um pao na patisserie, a moca pegou o dito com a mesma mao q pegou o dinheiro  e me entregou sem embrulhar. Que tal? Dai eu peguei o pao com a mao suja tb e mandei pra dentro. Pelo menos sei onde ando botando a minha mao, o chato e imaginar por onde andou a mao da balconista…

Ainda falta uma hora para o onibus da excursao vir me buscar, to com medo de sair dessa lojinha gelada, la fora esta pior ainda. O passeio e pra ver as luzes da cidade. Bem, ao menos o onibus tem calefacao.

News from London

In humor on 07/01/2010 at 4:35 AM

Brogui Dearest

Agora, depois que o motorista do black cab me disse que meu ingles is very good, to muito metida.

Well, depois da lambanca que a empresa na qual comprei o pacote me aprontou (mas isso e conversa desagradavel que fica pra depois), hoje vi neve pela primeira vez na minha vida. Alias, vi, senti, enfiei o pe, tudo o que tive direito. Tive alguns probleminhas, mas a menina-octopus atacou de novo. Com uma das maos segura o guarda-chuva, com a outra a maquina fotografica, com a outra a mochila, com a outra o mapa da cidade, com a outra botava e tirava a porra das luvas, com a outra a porra do gorrinho, com a outra o lenco de papel e com a ultima o protetor labial.

Nao senti frio, sai do hotel com duzentas blusas, uma em cima da outra, parecendo um boneco de neve. Meu casaquinho vermelho e impermeavel mesmo (ainda bem), minhas botas aguentaram o tranco e a calca de la nem ficou umida. O chato e andar na neve. Estava ventando e eu usava o guarda-chuva como escudo. Resultado: nao via por onde estava indo e dei umas guardachuvadas em alguns transeuntes. Sorry, sorry e sorry. Tambem fiquei com medo de escorregar e quebrar uma perna. No inicio das minhas andancas? Nem pensar.

Visitei a Torre de Londres, consegui tirar umas fotos  (com neve fiquei com medo de matar a maquina). Nao estou postando fotos pq a internet aqui e carissima e eu sou meio lenta pra fazer essas coisas. Tambem fui ate a London Tower. Nao consegui ir ate a London Bridge, tava nevando demais. Como e a neve? Como chuva, so que mais bonitinha. Imagine chover gelo raspadinho. E a mesma coisa.

Na saida, fui dar uma voltinha e obviamente me perdi (com o guarda-chuva no meio da cara, nem sabia pra onde estava indo). Como dinheiro e pra isso mesmo, estiquei o dedinho e peguei um black cab que me custou a grana do almoco. O motorista perguntou de onde eu era e disse que ha muitos brasileiros passeando por aqui. Como eu ja sabia disso, tropecei com milhoes deles pelo caminho disse que era a brasilian plague (com u ou sem u?). 

Amanha, se Deus ajudar e a Panavision (empresa de turismo) nao atrapalhar, sigo para Paris (de novo, que saco!) Depois conto como foi.

Bjs

Paz

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