Fatinha

Archive for dezembro \30\UTC 2010|Monthly archive page

News from London

In humor on 30/12/2010 at 6:20 AM

Querido Brogui,

Direto de Londres, depois de aproximadamente dez horas de caminhada – Lelena pediu penico, esta aqui ao meu lado quase morrendo. O teclado aqui nao tem acento, so, abstraia esse pequeno detalhe.

Cheguei ontem e, apesar da viagem cansativa – doze horas com a perninha encolhida ‘e tarefa pra guerreiro – tudo foi nos conformes. Nao sumiu a mala, achei o hotel direitinho.

O primeiro percalco – o teclado nao tem cedilha – foi no pagamento do taxi. O voo atrasou uma hora, fiquei mais duas para passar pela imigracao, mas Jack, the driver, nao quis saber: me tomou 20 libras de multa. Bem que a Marise me avisou. Reclamei, mas enfim, vao-se as libras e ficam-se os dedos dentro das luvas.

O quarto do hotel ‘e pouco maior que um closet, no segundo andar – nao tem elevador – e ‘e quente como uma estufa. Ok, to de ferias, o hotel foi barato e fica bem localizado. Duro foi dormir naquele colchao molenga. Lelena acordou toda torta, alias, nem dormiu direito – nem me deixou dormir. Ok, to de ferias, o hotel foi barato e fica bem localizado. O caf’e da manha foi super meia-bomba, num cubiculo onde os hospedes se atropelam para se servir. Ok, to de ferias, o hotel foi barato e fica bem localizado. Vou repetir esse mantra todos as noites e todas as manhas…

Visitei Buckingham Palace e fiquei um tempao junto a centenas de turistas esperando a tal da troca de guarda. Fiz ate um filminho. Muuuuito legal. Eles chegam marchando, ao som de uma banda, todos imberbes, mas eleganterrimos e orgulhosos. A pol’icia inglesa, muito paciente, ficava repetindo, repetindo: ‘saiam do caminho, nao pode parar aqui’. Quando o povao desobedecia, abria o caminho passando a cavalo pelo meio dele e pronto.

Fui caminhando at’e Westminster Abbey, depois o Parlamento, o Big Ben, depois London Eye – a maior roda gigante do mundo. S’o vi, nao ando naquele treco nem amarrada. Depois vc olha no mapa pra ver o meu trajeto.

Mais uma vez estou achando tudo lindo, ainda mais que nao choveu, nao nevou e a temperatura est’a amena, mais ou menos 4 graus. Nada que tres blusas, duas meias, calca de la, casaco, gorro e luva nao deem conta.

Custei a ver um ingles de verdade, ate hoje de manha so tinha tido contato com indianos, egipcios, chineses e, obviamente, brasileiros – uma praga da qual nao consigo me livrar nem atravessando o oceano – hehehe.

Apos esse breve pit stop na lan house, estou seguindo para o closet tomar banho e dormir, nao sem antes fazer a c’elebre lavacao de roupa na pia do banheiro.

Saldo do dia: to feliz, ja quebrei tres unhas e minha boca ta inchada como a da Jolie.

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Notícia, boa notícia e ótima notícia

In humor on 26/12/2010 at 7:17 AM

Querido Brógui,

Notícia: quinta-feira, 23 de dezembro, mais ou menos onze horas da noite: Irmão chega para passar o Natal conosco. Quinta-feira, 24 de dezembro, mais ou menos três horas da manhã: acordo com barulhos estranhos no banheiro – Irmão chamando raul. Mais ou menos quatro horas da manhã, depois de me atracar pelo telefone com cinco atendentes do call center do plano de saúde, cada qual empurrando o abacaxi para o outro: emergência do hospital invadida pelo Irmão urrando de dor. Mesmo dia, duas horas depois: ultrassonografia. Mais duas horas: tomografia. Diagnóstico: cálculo renal com indicação de internação e cirurgia. Mais duas horas esperando ambulância, volta pra emergência, mais duas horas para encontrar vaga para internação, outras duas aguardando outra ambulância para remoção e para completar, mais duas até liberarem o quarto. No meio da tarde, chegamos ao quarto.

Passamos a noite de Natal internados: ele com dieta zero porque iria se submeter a um procedimento cirúrgico no dia seguinte – hoje, dia 25 – e eu porque não tinha tido tempo nem lembrança de providenciar um lanche e a cantina do hospital estava fechada.

Boa notícia: tudo está bem, cálculo removido, previsão de alta para amanhã.

A ótima notícia?

Estou me mandando para a Europa de novo. Urrúúúúúúú´!!!!!!!!! Num surto psicótico, comprei passagem, fiz as reservas para os hotéis, troquei uns euros, comprei mala nova – a outra morreu naquela maratona da outra viagem -, me atolei em dívidas e dia 28, se a Infraero e a nevasca permitirem, chego lá.

Vou comer muita neve, congelar o meu nariz, chorar emocionada em todas as esquinas e volto mês que vem. Reveillon em Londres – que chato! -, depois Paris – de novo! -, Amsterdam, Bruxelas e Bruges.

Falo muito mal o inglês, nada falo de francês e muito menos holandês, mas vou amarradona, na maior cara de pau, arrastar a nova mala pelo Velho Continente. Tentarei, como da outra vez, manter você atualizado acerca das minhas andanças.

Tenha um 2011 de muita PAZ, muita saúde e obrigada pela sua agradabilíssima companhia sempre.

Beijos

Tô de fériaaaaaaaaaaaaaaaaas

In humor on 20/12/2010 at 8:50 AM

Querido Brógui

Finalmente hoje posso me considerar oficialmente de férias: lancei as últimas notas no sistema acadêmico. Para comemorar, fui à academia malhar os glúteos e comprei dois livros para ler nas férias. Saí correndo do shopping porque detesto ficar batendo chifre com outrem.

Não comprei presentes de Natal, nem consegui ver meus amigos antes das festas, mas a ceia já está garantida: me enfiei no mercado – a sucursal do inferno – na sexta, antes da colação de grau de minha ex-aluna.

Amanhã vou dormir um pouquinho mais, dar uns telefonemas natalinos, quem sabe até ir ao cinema. Vou marcar salão pra arrumar meu cabelo e fazer minha tradicional limpa-de-armário-de-final-de-ano.

É… Tenho que aprender de novo a relaxar e parar de fazer listinha de compromissos.

Vistoria no Detran

In humor on 17/12/2010 at 8:16 AM

Querido Brógui

Pra quem não é carioca, saiba que cá nessa terra temos que, além de pagar o IPVA, levar o veículo todos os anos para a maldita vistoria, que consiste em entrar numa fila obscena, geralmente num galpão com cobertura de amianto – pra potencializar o efeito estufa -, ligar seta prum lado, seta pro outro, farol alto, farol baixo, buzinar, ligar o limpador de para-brisa e depois repetir o procedimento para o cara olhar tudo de novo pelo ângulo traseiro (do veículo, não dele, muito menos do meu).

Descobri, já no caminho para o posto de vistoria que o extintor de incêndio, embora carregado, estava vencido. Passei numa loja, comprei um outro – que não cabe no suporte, fiquei de voltar depois para trocar – e segui meu rumo.

Na entrada, dei minha identidade e o documento do carro e a mocinha demorou um certo tempo para achar meu nome na agenda. Falei brincando que ia ter um treco se meu nome não estive na sua prancheta. Ela me disse, com o humor digno de um rinoceronte com dor de dente: “A senhora vai ter um treco lá fora, porque aqui vai atrasar a fila.” Olhei para ala estupefata, sem ação, sem palavras. Segui para a outra fila.

Duas hora depois chegou a minha vez. O cara disse que meu carro estava sujo – não sabia que tinha que lavar o carro pra ir pra vistoria – e por isso não ia fazer a verificação da emissão de gases poluentes – o que tem a ver o tatu com as calças? Me avisou que a luz de ré estava com mal contato e que isso dava multa e apreensão do veículo e nem olhou o extintor de incêndio – quinze reais gastos desnecessariamente. Me mandou para a cabine 2 pegar a documentação. A lesada foi para a cabine 3, onde ficou por mais uma hora até perceber que estava no lugar errado.

Saí rindo da minha desorientação, enquanto observava dois funcionários caindo na porrada por causa de horário de almoço e um usuário mandar o funcionário tomar no porque o veículo tinha caído em exigência.

Moral da história: … não consigo pensar em nenhuma.

PS: Cacá, eu realmente preciso de férias
PS 2: Ciça, acho que meu post responde à pergunta feita no email que me mandou

O dia cachorrento e o meu Anjinho da Guarda

In humor on 08/12/2010 at 8:27 AM

Querido Brógui,

Ontem foi um daqueles dias que deveriam ser riscados da folhinha, daqueles nos quais você se arrepende amargamente de ter saído da cama.

Tudo começou às seis horas da manhã com um copo d’água derramado em cima da cama, cama na qual estávamos deitados eu e meu celular, que acabara de dar o toque da alvorada. Torta de sono, passei rapidamente a camisola no celular e fui fazer minha caneca de café pra ver se conseguia sintonizar minhas antenas externas para começar o dia.

Caneca nas mãos, olhei novamente para o celular – aquele novinho, que nem aprendi a usar direito – e vi que continuava molhado. No que eu passava mais uma vez a camisola nele, ele travou, depois apagou. Ainda sonada, pensei: “Morreu.” Consegui abrir, tirei a bateria, o chip – ambos encharcados – passei a camisola neles, sacudi o bicho pra tirar o excesso de água e fui cuidar da vida. Não, não dei nenhum ataque. Estava dormindo em pé, apenas minhas funções vitais estavam funcionando.

No decorrer da manhã, fui me dando conta do que havia ocorrido e, finda a jornada, corri pra casa pra ver o que realmente havia ocorrido. Será que ele tinha morrido mesmo? Tinha. Nada acontecia por mais que eu, desesperada, tentasse socorrê-lo.

Ok, já era, vá ao dentista, depois passe na loja pra tentar resolver, quem sabe contar uma história triste? No prédio do consultório, apenas um elevador funcionando, um calor infernal. Vinte minutos depois, toquei a campainha. Nada. Cansada, sentei no meio do corredor para esperar. Quarenta minutos depois, desisti e fui embora. Não, a dentista não me deu bolo, ela ligou cedinho avisando que não ia me atender porque ia a um enterro e deixou recado na secretária eletrônica e também mandou uma mensagem. Tudo para o celular, que jazia na estante da sala.

Na loja, fui informada de que teria que levar o aparelho para a assistência técnica. Pedi para tirarem o chip do novo e colocá-lo no antigo, estava chateada, o atendimento foi horrível, mas eu ainda estava anestesiada. O que será que tinha naquela caneca de café que tomei de manhã? Tudo dando errado e eu nem dei chilique!  Nem a minha voz Yorubá eu usei!

Cheguei a casa de novo, tomei banho de novo e me arrumei para ir para a escola de novo – é, também dou aulas à noite. Pensei com os meus botões: “Quem sabe o celular não está funcionando?”. Abri a sacolinha, abri a caixinha… CADÊ O CELULAR?

Aí, nesse momento, me descontrolei. Afogar ao celular, ok. Ter que levar pra consertar, ok. MAS, PERDER?

Em dois minutos estava dentro do carro, com lágrimas nos olhos, voltando para a loja. Torcia para que nenhum funcionário tivesse afanado meu aparelho quebrado pra fazer um troco de final de ano. Pedia a Deus que me iluminasse e desse um jeito na minha cabeça desaparafusada.

Na loja, finalmente meu Anjo da Guarda começou a trabalhar – acho que ele tinha ingerido pela manhã a mesma substância anestésica que eu. O celular estava lá guardado na gerência da loja. E não é só isso: estava ligado. E não é só isso: estava funcionando.

Não tem explicação. Foi meu Anjinho, que anda lerdo e cansado como eu, mas ainda dá conta do recado.

Então, já é dezembro

In humor on 04/12/2010 at 4:45 AM

Querido Brógui,

Com o visual natalino de sempre, venho dizer que chegou o mês de dezembro e eu mal vi o ano passar. Não, não vou ter deprê de final de ano, nem tenho tempo pra isso.

O meu ano foi bom, começou com uma linda viagem enlouquecida pela Europa e,  se Deus quiser, vai acabar do mesmo jeito.

Trabalhei como uma camela, fiz coisas diferentes, coisas iguais, me aborreci, me diverti, juntei dinheiro, gastei dinheiro, revi pessoas e conquistei outras.

Emagreci, larguei a academia, voltei pra academia, dormi e tive insônia. Li muito, mas bem menos do que gostaria. Ouvi pouca música.

Falei muito e também me calei quando necessário. Escrevi, mas não tanto quanto eu gostaria de tê-lo feito.

Ri, gargalhei, falei bobagens, xinguei muito também.

Mudei a cor do cabelo. Castanho claro, luzes, louro escuro, chocolate, marrom dourado, castanho escuro. Acho que ano que vem vou voltar pro cereja, dava menos trabalho.

Não aprendi francês ainda.

O que foi pior? A falta de tempo pra fazer mais coisas bacanas e estar mais com minhas pessoas bacanas.

O que foi melhor? Meu Querido Brógui. Minha janelinha para o mundo. Meu contato imediato de terceiro grau com gente que conheço e com quem nunca vi também. Meu contato imediato comigo mesma e com minhas maluquices.

Beijos

Paz

 


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