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Trânsito no Rio

In humor on 18/02/2014 at 1:49 PM

Querido Brógui,

Saindo de casa meia hora mais cedo pra chegar no trabalho meia hora mais tarde. Parece algo como pensar metafisicamente, viagem no tempo, universo paralelo, mas não é.  Significa apenas que moro na Cidade Maravilhosa, cujo alcaide tem como único objetivo na vida causar transtornos no trânsito.

Aparentemente, a solução para tirar os carros particulares das ruas (ele tem horror de quem tem carro, é algo pessoal) é acabar com as vagas de estacionamento, fechar ruas, derrubar viadutos, criar ciclovias onde NINGUÈM anda de bicicleta, permitir que apenas ônibus trafeguem em faixas exclusivas (sendo que os ônibus podem invadir a faixazinha dos carrinhos), colocar cones alaranjados por todas as ruas  (você fica sem saber se é pra entrar no cone ou ficar fora do cone), um monte de “agentes de trânsito” apitando nas esquinas (um mandando ir e o outro mandando parar) enquanto falam ao celular, e por aí vai. Resultado, um problemaço que faz do carioca um cidadão à beira de um ataque de nervos.

Ok, você tá pensando: “Deixa o carro em casa, sua burguesa metida que tem nojo de andar de ônibus e pavor de metrô!” Respondo eu, pacientemente: “Nem fodendo!”

De ônibus, vou levar umas três horas pra chegar no trabalho e mais três pra voltar pra casa. O trânsito tá ruim pra todo mundo, seja carro particular, seja coletivo. As rotas foram alteradas, bem como os pontos de parada. Nego ainda tá perdidinho, sem saber onde pega o ônibus e onde desce. Como regra, todo mundo agora tem que andar quilômetros ao sol, como em uma procissão de camelos, pra conseguir chegar ao seu destino. E eu ando de salto alto. Impossível. Vou acabar quebrando a perna, ou pior: o salto da minha sandália!

De metrô, tenho que andar uns vinte minutos até o ponto do Integração, esperar mais um tanto pra ele passar, pegar o engarrafamento (em pé e sendo tocada por pessoas estranhas) até a estação mais próxima, pegar o metrô (se eu conseguir entrar no vagão), descer e andar (naquelas benditas pedrinhas portuguesas) mais uns vinte minutos até o trabalho. Vai demorar do mesmo jeito, com a diferença de que meu sofrimento será sem glamour algum.  

De van? Nem sei como faço. Tenho medo dos motoristas de van: todos uns loucos. Aliás, isto me leva ao segundo tema de minhas divagações: os motoristas profissionais.

Reconheço que é, no mínimo, uma profissão insalubre. Se nós, que pegamos o carro por uma ou duas horas por dia, ficamos com os nervos à flor da pele, imagine o cara que passa o dia inteiro atrás de um volante? Daí minha sempre brilhante conclusão de que há duas categorias de profissionais do volante: a dos assassinos psicopatas e a dos serial killers.

Os motoristas de ônibus se valem da máxima: “vai encarar?”. No mais das vezes, eu não encaro. Mantenho uma distância defensiva, aprendi a identificar as linhas mais perigosas (é. tem isso: em algumas linhas, os motoristas são selecionados a dedo pelo grau de insanidade. o 422, por exemplo. já fui perseguida por um, me lembrando o primeiro filme do Spielberg, aquele do caminhão.) Os veículos são jogados em cima do que houver pela frente, carro, moto, pedestre, jegue, qualquer coisa. Ficam atravessados nos cruzamentos: se eles não andam, ninguém mais anda. Param pra pegar e despejar passageiros em qualquer lugar, mesmo que isto signifique ficar atravancando a rua. Ignoram solenemente os sinais de trânsito.

Taxista, salvo honrosas exceções, como Zeca (não posso ofender marido de amiga), levam ao pé da letra os dizeres do adesivo: “Mantenha distância defensiva. Parada brusca.” Põe parada brusca nisso. De repente, param. O passageiro, calmamente, embarca. Usando a porta que abre para a rua. Ou fica horas procurando o dinheiro pra pagar a corrida enquanto você espera. Também é hábito ficarem morrinhando, ocupando duas faixas, não querem encostar pra não perder a vez, mas também não querem se afastar da calçada pra não perder um possível passageiro. Ou entram na sua frente (sem sinalizar, obviamente).

Em outra categoria, a dos suicidas, estão os motociclistas. Salvo honrosas exceções, como André (não posso ofender amigo que me leva pro baile). O primeiro problema é que desconhecem o que é equipamento de segurança, qual é a sua finalidade e como utilizá-lo. Não tem amor à própria pele (literalmente). Depois, há o tal do corredor, pelo qual passam os ensandecidos, em fila, com o dedo na buzina, dando porrada nos retrovisores, ralando as portas dos carros, xingando se você ousa mudar de faixa.  Quando abre o sinal, vem aquela horda barulhenta, se enfiando em qualquer vãozinho onde caiba um alfinete.

Por último, mas não menos perigosos, estão os pedestres e seu hábito de se atirar na frente dos carros. NINGUÉM usa a porra da faixa de pedestres. Atravessam em qualquer lugar que der na telha. Eles podem surgir de detrás de um ônibus, na curva da esquina, no meio de uma pista de velocidade, embaixo da passarela, de dentro de um bueiro. O pedestre simplesmente se materializa na sua frente, obrigando você, pobre motorista, a manter em dia seus reflexos e a pastilha de freios.

Então, o motorista do carro de passeio tem que ter dúzias de olhos (além dos retrovisores). Temos que olhar pros ônibus, pros táxis, pras motos, pros outros carros (não alivio ninguém. a falta de educação e gentileza são características de todos que portam um veículo automotor. ninguém dá a vez, ninguém respeita sinal, ninguém sinaliza pra onde pretende se mover.). Temos que vigiar os pedestres, os guardas, os cones, os sinais que não funcionam. É dureza!

Pra encerrar o papo, digo uma coisa: tá difícil. E a tendência é piorar.

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