Fatinha

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The horror

In humor on 28/11/2010 at 11:15 PM

Querido Brógui,

Desde quinta, quando cheguei da rua e vi pela televisão o pau comendo na casa de Noca, digo, na casa dos traficantes, oscilei entre a euforia de ver que algo estava finalmente sendo feito contra as forças do mal, a tristeza de o meu Rio de Janeiro virar manchete de primeira página – e não porque o Cristo Redentor ganhou nova iluminação – e o pulsar da minha veia bárbara querendo ver sangue, tripas espalhadas, carnificina. Optei por não falar com você sobre o assunto até que a poeira baixasse e meus olhos desanuviassem.

Na minha tola avaliação, aplaudo de pé o Estado por finalmente ocupar a cadeira que lhe pertence e que, por motivos políticos, há mais de vinte anos havia deixado outros sentarem. Todo mundo sabe que no governo do falecido Brizola a polícia foi proibida de subir o morro e aí aquilo virou terra de marlboro. Também não precisa ser cientista político pra saber que, no vácuo do Poder Público, alguém toma conta da situação. Aí vem toda a questão de inversão de valores, do endeusamento da bandidagem que faz festa no Natal e espanca maridos que espancam as mulheres e se arvora em direitos que ninguém tem e por aí vai.

Achei a operação toda muito organizadinha, muito limpinha, todo mundo trabalhando com seriedade e isso foi tão claro pra todo mundo que, como há muito tempo não se via, o povo deu demonstrações de afeto às forças policiais, até então mais conhecidas pela sua truculência do que pela sua inteligência.

Não sou estrategista militar, não entendo nada de armamentos e o outros quetales, mas ouso discordar daqueles “entendidos” que disseram que a polícia não devia ter deixado aquela cabeçada de bandidos fugirem morro acima e depois morro abaixo. Disseram que deram mole, que deviam ter metralhado todo os vagabundos. Ok, daí, no dia seguinte, na primeira página, ao invés de elogios à atuação, estaria uma fotografia de uma pilha de corpos no cocuruto do morro. E todo mundo achando um absurdo – como de fato seria. Não sei quais as intenções do comando da operação, não sei se deixaram fugir mesmo, se não tinha jeito de segurar os caras lá, não sei. Deve ter uma explicação, porque naquele dia nada aconteceu por acaso.

E o crime organizado? Não sei se é tão organizado assim. Espero que, como demonstrado nos últimos dias, não o seja mesmo e que não venha nenhuma rebordosa por aí. Vamos ver.

No mais, não vi ainda Tropa de Elite 2. Acho que não vou ver. Pra quê?

PS: o título do post é uma referência ao filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola. O fundo musical de uma das cenas antológicas, A Cavalgada das Valquírias, de Wagner, foi o que eu ‘ouvi” o tempo todo enquanto acompanhava as manobras de ocupação daquelas favelas. Coloquei um link lá na coluna “Fatinha viu e gostou” se vc quiser lembrar.

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O evento

In humor on 24/11/2010 at 6:55 AM

Querido Brógui,

Não, não se trata daquela série nova que está sendo exibida, uma mistura de Arquivo X com 24 horas e Lost, ou seja, o maior samba do crioulo doido. Meu post de hoje é sobre o evento promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com a Fundação Roberto Marinho para comemorar o sucesso do Projeto Autonomia Carioca. Ok, noves fora, realmente foi uma experiência bem sucedida.

Causou-me uma certa estranheza – como sempre me causa – a comemoração intempestiva. Quer dizer, a bem da verdade, o ano letivo não acabou, não demos por encerrado os trabalhos, o “nódulo” de História e Geografia ainda está pela metade, ainda não temos como certos os que serão promovidos, mas, ok, noves fora, a maioria vai rumo ao ensino médio – que Deus os tenha em bom lugar.

A Secretária de Educação se derreteu toda em elogios assim como a representante da FRM. Cumprimentou os alunos pela formatura no ensino fundamental. Formatura? Ninguém me disse que era formatura. Fui informada de que era uma festa de confraternização para os alunos e professores e etc participantes do Projeto. Meus alunos, que não são nem burros nem nada, ficaram com os olhinhos brilhando. Então é formatura? Acabou? Podemos ficar em casa? Não. O jogo só acaba quando EU der o apito final.

Então, ouvimos loas e mais loas. Ok, somos os melhores professores da rede. Ok, o sucesso do Projeto é devido à nossa dedicação, ao nosso sangue, às nossas lágrimas e nossos cabelos brancos e rugas e quilos a mais ou a menos. Ok, noves fora a vida pessoal inexistente no decorrer de um ano, somos lindos, gostosos, maravilhosos, crocantes e vitaminados e ainda fontes de ômega 3 e óleos essenciais. Mas, repito as perguntas que já fiz e ninguém da SME ainda me respondeu:

CADÊ MEU 14º SALÁRIO? CADÊ MEU PRÊMIO POR PRODUTIVIDADE? CADÊ O FAZ-ME-RIR, A GRANA, A BUFUNFA, O ARAME, O DINDIN, AQUELE QUE NÃO É TUDO MAS É 100%?

Hein? Mercenária? Eu? E quem é que vai pagar minha próxima viagem?

PS: alguém ainda sabe fazer noves fora?

PS2: essa edição é dedicada aos meus coleguinhas “quebradores de vidro”.

PS3: se quiser entender a referência acima, procure o livro infantil de Ruth Rocha, chamado Admirável Mundo Louco. A historinha chama-se “A escola de vidro”. Ou então pesquisa no Google. Ou então fica sem entender mesmo. hehehe

Notícias do Theatro

In humor on 09/11/2010 at 6:45 AM

Querido Brógui

Lembra daquela história da meia entrada? Ontem foi o espetáculo e eu fiquei arrasaaaaada!!!! Fui armada com todos os meus documentos, carteirinha funcional, contracheque, cópia da lei… Estava preparada pra guerra e…

Nada aconteceu. Nem pediram a minha identidade! Entrei com ingresso de idoso e NINGUÉM ao menos levantou a sobrancelha demonstrando estranhamento!!!!

Minha autoestima está no pé.

PS: O Momix é maravilhoso!!!

O idoso terrorista

In humor on 05/11/2010 at 5:59 AM

Querido Brógui,

Tudo bem que o tal do raio x dos aeroportos são para garantir a nossa segurança. Tudo bem que nem o Brasil está imune a ataques terroristas, vide os arrastões cariocas. Mas, cá pra nós…

No aeroporto de Vitória, como em todos os outros, há a tal da esteira com o detector de metais. Ok. Meu pai, contando 82 anos de idade, muleta em punho, é barrado.

“O senhor pode caminhar sem muleta?” Ora pois! Se ele pudesse caminhar sem o acessório, porque raios o carregaria pra cima e pra baixo? Tirar onda? Fazer tipo?

Papai colocou a muleta na esteira e tentou dar um passo pra frente. Percebi sua hesitação, voltei pra ampará-lo – afinal, se ele se quebrar de novo, quem aguentará o tranco serei eu e não a Infraero.

“A senhora não pode passar de volta.” Então ajude você, que está aí em pé esperando ele cair. Mas de todo jeito o alarme vai apitar, ele tem duas próteses na perna direita. (É, pra quem não sabe, meu pai é o ser mais próximo do Homem de Ferro que conheço: um joelho de titânio e uma haste que percorre todo o trajeto entre ele e seu o fêmur.)

Apitou, como eu havia alertado.

“O senhor pode me acompanhar?”

Eu não acreditei. O cara colocou o velhinho de pé com os braços abertos em cima de um tapetinho e ainda o mandou dar um 360º. Se ele não consegue nem andar pra frente, que dirá dar uma voltinha?

“A senhora não pode se aproximar.” Como é que é? Eu vou me aproximar, sim. O aparelhinho apitou, apitou, apitou e ficou por isso mesmo.

Bem, com isso, foi frustrado todo o plano terrorista urdido há meses, nos mínimos detalhes. Durante o vôo, papai iria tomar de assalto a cabine do piloto armado com sua muleta. A munição estava escondida dentro do joelho e seu fêmur, na verdade, é uma espada ninja.

Fica pra próxima.

 

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