Fatinha

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Barata ou tomate?

In humor on 31/05/2012 at 11:11 AM

Querido Brógui,

De acordo com a notícia divulgada hoje, “o tomate, quem diria, tem DNA mais complexo do que o do ser humano. Seu genoma, que acaba de ser decodificado, conta com 31.760 genes – sete mil a mais do que o nosso. A diversidade genética pode ter salvo a planta de sucumbir à mesma catástrofe que matou os dinossauros e a maior parte das formas de vida da Terra.”

Esta notícia me deixou especialmente feliz. Por que?

Os tomatinhos são bonitinhos, saborosos, dão vida às saladas e ainda são nutritivos. Nada mais justo de que sejam elevados ao status que merecem. Os tomates não são corruptos, não superfaturam nas licitações, não matam seus semelhantes, não fazem fofoca, são completamente inofensivos. Além de tudo isso, são biodegradáveis e fertilizantes.

Prefiro ser comparada a um tomate a sê-lo a uma barata. Há algum tempo também foi veiculada a notícia de que nosso DNA é mais parecido com o de uma cucaracha do que com o do chimpanzé. Isso me revoltou profundamente, porque não há nada de fofo numa barata, são seres nojentos do começo ao fim, não dá pra ser generoso com uma barata, não servem nem pra heroi de desenho animado, como os ratinhos.

Mesmo a contragosto, consigo encontrar uma semelhança entre a barata e tomate. De acordo com a reportagem, os tomates são resistentes – achei que eles eram frágeis. Sob aquela pelezinha fina, há um ser vivo que sobreviveu à Era Glacial – isso dá um tese de filosofia sensacional. Os dinossauros se foram e ficou o tomate. Em Hiroshima, a explosão da bomba atômica matou tudo, ficaram as baratas.

Entretanto, ainda que eu pense que grande parte da humanidade está mais pra barata do que pra tomate, saio em defesa de minha espécie.

Nem tomate, nem barata. Ser gente é melhor. Nem barata, nem tomate são capazes de compor uma boa música (boa música, algumas devem ter sido compostas pelas primeiras). Nem tomate, nem barata podem escrever um bom livro, fazer um bom filme, conversar bobagens, dançar, gargalhar. Nem barata, nem tomate podem ter amigos, podem amar, beijar e abraçar.

É. Os tomatinhos que me desculpem, mas ser gente é fundamental.

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Rádio Sucupira

In humor on 25/05/2012 at 11:05 AM

Querido Brógui,

Conhece Charlie The Fall, mafioso brasileiro que, além de mandar no Brasil inteiro, estendeu seus tentáculos por outros cantos do mundo como a Venezuela e até a Coreia do Norte (até onde se sabe, mas ele não fala sobre isso porque é seu direito constitucional manter-se em silêncio para não produzir prova contra si mesmo)? Ouvi no rádio que assim é que o cabra está sendo conhecido pelo noticiário internacional.

Todos os dias ouço a CBN, o que me impede de ficar completamente por fora das coisas – o que eu desejaria imensamente, pra não envelhecer. Há um programa, que vai ao ar de manhã, chamado Rádio Sucupira. TODO MUNDO TEM QUE ASSISTIR!!!!

RÁDIO SUCUPIRA

O programa faz uma brilhante edição combinando falas de Odorico com falas de pessoas que – infelizmente – são de verdade. É de chorar – de rir ou de tristeza mesmo. Dias Gomes foi uma pessoa iluminada. Décadas depois, o Brasil continua Sucupira. Ou Sucupira continua o Brasil. Odorico é um retrato fidelíssimo de nossos políticos e os demais personagens são assustadoramente reais. Hoje Odorico falou sobre amnésia, mal que assola os chefes e membros das quadrilhas brasileiras. Ninguém sabe de nada, ninguém ouviu nem viu nada, recebem cheques milionários e nem sabem quando nem quem é o emitente.

Alguém me disse um dia – não lembro quem – que o Brasil é um país sem memória.

Sapatinho Biodegradável

In humor on 10/05/2012 at 11:10 AM

Querido Brógui,

Voltando ao assunto anterior – minha compulsão – ouvi essa notícia na CBN e decidi divulgar.
Trata-se de um calçado fabricado na Espanha e inspirado numa criação indígena. Dizem que os índios da Amazônia tinham o costume de passar uma camada de látex, extraído das seringueiras para proteger os pés e essa camada ia aos poucos saindo, sendo reabsorvida pela natureza. Legal, né? É um calçado 100% biodegradável.
Refleti muito sobre o assunto. Mais ou menos uns quinze segundos. Cheguei à conclusão de que eu sou uma pessoa que é extremamente danosa ao maio ambiente. Tudo bem que tento minimizar os danos fazendo (muitas) doações de artigos sub-utilizados. Aplaco a minha culpa, faço circular a energia positiva e, de quebra, ainda protejo o meio ambiente. Mesmo assim fiquei pensando – por quinze segundos – nas toneladas de lixo que produzo.
A ideia do sapatinho biodegradável é maravilhosa. Deveriam inventar outras coisas desse mesma natureza. A gente ia usando, usando, e aí aquela bolsa que você não aguenta mais olhar pra cara dela mas fica com pena de jogar fora porque custou mais que os olhos da sua cara, puf! sumia. Não haveria mais problemas como andar fora de moda, falta de espaço nas gavetas, cheiro de mofo… Sensacional!
Sinceramente, não sei se toda essa reflexão serviu para coibir minha febre de consumo. Talvez eu deva entrar para algum grupo de apoio, quebrar meu cartão de crédito, colocar um escorpião dentro da carteira, sei lá. Vou pensar mais quinze segundos sobre isso.

PS: Vi que o sapatinho espanhol custa dez euros. Baratinho e dá pra encomendar pela internet. Será que mandam entregar em Vila Isabel?

Eu odeio a TAM

In humor on 09/05/2012 at 9:48 AM

Querido Brógui,

Adicione à minha lista de “odeio”, outra empresa aérea: a TAM. Aliás, acho que pra facilitar, eu poderia dizer que odeio todas elas, são um mal necessário e sofrido.

Tudo começou quando comprei uma passagem aérea pra aproveitar uma semaninha de férias em janeiro. Não pude ir porque fui convocada para assumir minha vaguinha suadinha conquistada via concurso público. Ok, foi por uma boa causa, fiquei na boa. Perdi um dinheiro do pacote – nem sei quanto, não fiz as contas pra não entrar em depressão – e consegui cancelar a passagem aérea.

O rapazinho gentilmente me informou que, caso eu quisesse o reembolso, pagaria um multa de, nada mais, nada menos, que 50% do valor por mim pago. O que? É isso mesmo. O consumidor acaba sendo compelido a ficar com o crédito, para se ferrar menos. Ok. Fiquei com a opção menos pior: remarcar a passagem dentro do prazo de um ano.

Quando resolvi fazer isso, escolhi o vôo, telefonei para o tal do “call center”. Senhora Fátima, o valor fica tanto. Como? Tanto. Que conta é essa? É tanto do trecho de ida, tanto do trecho de volta, R$ 80,00 para remarcar e mais R$ 72,00 pelo uso do call center. Como? Eu vou pagar setenta reais porque estou falando com você? É, senhora. Não tem outro jeito? A senhora pode ir em alguma de nossas agências ou remarcar pela internet. Ok.

Internet? Não existe essa opção: remarcar passagem. Fui, bufando, domingo, fiquei uma hora na fila, e, pasme: na hora do acerto, TIVE QUE PAGAR A TAL DA TAXA DE SETENTA E POUCOS REAIS!!!!! Como? É uma taxa, senhora. Eu entendi que é uma taxa de extorsão, minha querida. Eu não posso remarcar pela internet, não posso cancelar, então sou obrigada a pedir para remarcar e ainda tenho que pagar por isso. A funcionária me olhou sem graça – só faltou dizer que concordava comigo.

Peguei o cartão de crédito. Só débito, senhora. Fuzilei a mocinha com o olhar, ela desviou das balas, pediu desculpas porque não estava conseguindo imprimir a confirmação, eu disse que odiava a TAM e fui embora.

Fui obrigada a comprar um sapatinho novo pra aplacar a minha fúria. Mas isso é assunto para outro post: estou uma consumista compulsiva e preciso me tratar.

Ponto facultativo

In humor on 01/05/2012 at 5:34 PM

Querido Brógui,

Feriado é bom. Melhor ainda é ponto facultativo. Por que? Porque no feriado tá tudo fechado, então não dá pra resolver minhas eternas pendências. Ponto facultativo para os servidores é diferente: nós não trabalhamos, o resto do mundo, sim.

Tigrão estava precisando de um trato. Amortecedores novos, alinhamento, balanceamento, cambagem. Fui a primeira a chegar na loja, acertei tudo, deixei ele lá e voltei a pé pra casa. Longe pra cacete, mas tudo bem, pelo menos ia resolver esse probleminha e depois ia buscar umas roupinhas na costureira e me enfiar no supermercado pra fechar o dia com chave de ouro. São Pedro não achou uma boa ideia.

Caiu um dilúvio no Rio, o rapaz que foi buscar os amortecedores no depósito estava sem seu bote salva-vidas. Resultado: passei o dia inteiro em casa cantando “chove chuva”, Tigrão na oficina. Fui buscá-lo já era noite. Continuava chovendo muito. Descobri que meu guarda-chuva novo tem goteira, meu tênis faz água e meu casaco impermeável é mesmo impermeável. A dispensa continua vazia e meus vestidinhos longe do meu corpinho.

Na loja, tirei as meias, enchi o tênis com papel toalha, olhei o estrago no meu cabelinho chapado, paguei metade do meu salário pelo serviço e aproveitei para adquirir, totalmente free, um belo resfriado.

Hoje, feriado, passei o dia de cama, com dor de garganta. Tudo bem. Não ia fazer nada mesmo…

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