Fatinha

Archive for the ‘Sem categoria’ Category

Irmão Gêmeo

In Sem categoria on 10/12/2008 at 6:51 PM

Querido Brógui

 

Há alguns meses eu havia feito o propósito de levar você para outro lugar. Hã? Levar você, Querido Brógui, para morar no WordPress. Bem, mudei parcialmente de idéia e, ao invés de levá-lo embora, criei um irmão gêmeo seu. Gêmeo bivitelino, não idêntico. Confesso que fiquei meio com preguiça de aprender a usar todos os recursos que o WordPress oferece, então, não dei muita atenção ao seu irmão (pobrezinho, tão novinho e já largadinho à própria sorte). Você era mais fácil de lidar. Percebeu a sutileza do “era”? Pois bem. Acabo de travar uma batalha para conseguir abrir o Terra Blog, agora cheio de novidades, cheio de guerigueri, cheio de coisa e tal. Uma hora depois, consegui acessar você, coitadinho, perdido, sozinho, nesse cibermundo tão cruel. Suei frio, só de pensar que nunca mais ia lhe ver. Tudo resolvido, dou de cara com o que? Um genérico do WordPress. A opção pelo básico já era. Sendo assim, já que estou sendo obrigada aprender a usar os recursos que são mais ou menos os mesmos, passarei a publicar você e o seu irmão gêmeo. Você fica magoado? Com ciúmes? Fique não. Você continua a ser o primogênito, e isso é uma grande coisa.

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Dá pra rir no inferno

In Sem categoria on 08/12/2008 at 7:29 PM

Querido Brógui

Fui hoje fazer uma visita a uma amiga que trabalha na Saara. Para quem não mora no Rio, é um conjunto de ruas comerciais no Centro da Cidade. Não é O Saara é A Saara, uma sigla que não lembro o que significa.  Se em condições normais de temperatura e pressão aquilo lá é a ante-sala do inferno, na véspera de Natal é o próprio inferno.
Sou metida mesmo. Bater perna pra mim tem que ser em shopping ou, no máximo, uma feirinha muderna, desde que em horários em que não seja obrigada ficar batendo chifre. Pago mais caro pelo produto, mas desfruto do ar-condicionado, do estacionamento, do quase que silencioso ambiente, coisa impossível no comércio popular. É, na Saara, em cada porta de cada loja tem um cabra com um microfone na mão fazendo a divulgação dos seus produtos. Tem noção? Some-se a isso a oitiva ininterrupta da rádio Saara, que consiste em alto-falantes que igualmente fazem propaganda do comércio local. As propagandas veiculadas pela rádio só não são risíveis porque não dá pra rir sendo pisoteado a cada três minutos e empurrado a cada dois. Não dá pra rir no inferno.
Na Saara você também tem o desprazer de se sentir monitorado como um meliante qualquer. Tudo bem, acho que o fato de existir uma criatura que fica de pé em cima de um banquinho no meio da loja ou na porta dela olhando o movimento denota que a quantidade de furtos praticados deve ser algo beirando a obscenidade. Mas, cá pra nós, é muito desagradável saber-se alvo de tão severa vigilância.
Temos ainda no cardápio Saara o esgoto correndo a céu aberto em algumas ruas e lojinhas vendendo lanches suspeitíssimos ao povinho porco que colabora com a imundície lançando guardanapos e copinhos descartáveis pelo chão.
Minha passagem pela Saara só não foi mais traumatizante porque consegui arrancar minha amiga do escritório para almoçar comigo e de quebra comprar os presentinhos de Natal das crianças. Retiro o que disse: dá pra rir no inferno.

Fazendo a energia do guarda-roupa circular

In Sem categoria on 07/12/2008 at 4:40 PM

Querido Brógui

Todo final de ano é a mesma rotina: faxinão no guarda-roupa, separar roupas que não uso mais, roupas quentes para guardar pro ano que vem, abrir espaço e circular a energia. Minha filosofia nesse aspecto é bem clara: aquilo que não usei durante um ano inteiro é porque realmente não preciso, então, que vá para quem faça uso.
Comecei a fazer isso há centenas de anos, quando li no jornal uma entrevista na qual um ator dizia que, ao se queixar com um amigo de que não conseguia alcançar as coisas materiais que almejava, este lhe disse que deveria dar mais e acumular menos. É a tal da circulação de energia a que me referi. Segui o conselho e comecei a me desfazer de tudo aquilo que guardava apenas por guardar, com pena de dar. Um apego bobo. Com o passar do tempo, o prazer de fazer as doações foi aumentando e agora, quando faço a faxina de final de ano, o volume de coisas acumuladas é sensivelmente menor, já que o hábito ficou meio que automático. Sempre que compro uma peça nova, dou uma antiga.
Passo o conselho adiante: desapegue-se. É um exercício muito bom para sua espiritualidade. Se não quiser fazer isso em prol de seu espírito, que o faça pensando no lado material: quanto mais você doa, mais você ganha. O Universo tem essa regra, que não dá pra discutir.

Telefone na geladeira

In Sem categoria on 20/11/2008 at 9:46 AM

Querido Brógui

Adoro uma frase feita, fazer citações. Dizem por aí que quem gosta disso é porque não tem capacidade de criar suas próprias falas, então repete o que os outros dizem. Sei não. Acho desnecessário tentar criar o que já foi criado e, com perfeição. Imagina ter que inventar a roda todos os dias? Sendo assim, se alguém já disse exatamente o que eu penso, porque me dar ao trabalho de ser original?
Mas, vez por outra eu tenho meus rompantes de criatividade e solto umas pérolas realmente interessantes para expressar o que sinto. Ontem, conversando com uma amiga pelo telefone, falei pra ela: “Eu já estou guardando telefone na geladeira.”
Pois é. Depois de sair do hospital, perder a chave do carro dentro do carro, morder a bochecha comendo uma bala, o ápice do desconcatenamento mental foi guardar o telefone na geladeira.
Meu pai está internado há doze dias (tá tudo bem, dentro do possível). Estou há doze dias sem comer e sem dormir decentemente. Comprei uma Coca Light no caminho de casa pra acompanhar um resto de pizza comprada no domingo. No trajeto vim ruminando toda a minha raiva contra uma pessoa irritante cuja única missão na vida é encher o saco dos outros. Vim decidida a ligar pra minha amiga a fim de pormos um ponto final na crise. O que fiz quando cheguei em casa? Peguei o telefone sem fio, abri a geladeira, tirei a pizza velha lá de dentro, guardei nela a latinha de refrigerante com o telefone e depois disso, fiquei uns quinze minutos procurando-o.
Bem, podia ter sido pior. Eu poderia ter colocado o telefone dentro do forno, junto com a pizza passada.

O sofazinho

In Sem categoria on 11/11/2008 at 11:22 AM

Querido Brógui

Não adianta mesmo. Eu não tenho jeito, graças a Deus, e consigo rir de situações nada risíveis. Tenho tido muito tempo para pensar, trancafiada num quarto de hospital fazendo o turno do dia. Como para fazer humor é necessária uma boa dose de mau humor, nada como uma situação desagradável para servir de inspiração. Eu sei, eu sei que eu disse ontem que não estava a fim de fazer gracinha, mas isso foi ontem.
Sentadinha no maldito sofazinho que fica no quarto do hospital, tentando me acomodar naquele objeto produtor de desvio de coluna, fiquei matutando acerca do por quê de, em todos os hospitais haver sempre o mesmo tipo de sofá. Quer dizer, em todos os que conheço (não muitos, por sorte). O treco é duro, pequeno, baixo, sem braço, um horror. Por que? Além disso, o sofá fica estrategicamente situado na frente da porta, ou seja, nem pense em se deitar, a menos que queira levar uma “portada” na cabeça.
Depois de muito meditar acerca de tão importante questão, concluí que o desconforto é proposital. Afinal, o acompanhante não está ali de férias, está para acompanhar o paciente. De acordo com essa lógica maligna, se o acompanhante ficar muito confortável, vai dormir a noite toda, o paciente vai querer alguma coisa, vai chamar, não vai ser ouvido e terá que apertar a tal da campainha para chamar a enfermagem. Conseqüência: o plantonista terá que se deslocar até o quarto para fazer o serviço para o qual é pago ao invés de esse serviço ser prestado gratuitamente pelo familiar. Faz sentido.

Depois da queda, o tombo

In Sem categoria on 10/11/2008 at 9:54 PM

Querido Brógui

Estou fora do ar por esses dias por conta da queda que meu pai sofreu com a conseqüente fratura do fêmur. Não estou muito no clima de fazer gracinhas. Você entende, não? Tá muito difícil vê-lo daquele jeito, deitado em um leito de hospital, morrendo de vergonha por não conseguir dar conta dele mesmo, pedindo desculpas a todo o momento por estar dando trabalho, sentindo-se tão impotente. A coisa mais marcante que ele me disse nesses últimos dias foi: “Minha filha, a velhice é uma merda!” Eu lhe respondi: “Só há uma alternativa para a velhice. E essa, ninguém quer.”

Nas trevas da ignorância (e sem lanterna)

In Sem categoria on 05/11/2008 at 7:26 PM

Querido Brógui

Ontem fiz um programa super-ultra-mega cabeça: fui ao lançamento do livro de uma grande amiga, conquistada nos idos tempos da faculdade de História, isso há aproximadamente dois milênios atrás. Diferentemente de mim, ela dedicou-se à sua carreira de pesquisadora, enquanto eu enveredei pelos caminhos da sala de aula, depois faculdade de Direito, depois concursanda eterna, depois blogueira… Um dia eu descubro o que eu quero ser quando crescer.
Voltando à vaca fria, há muito tempo não fica tão clara a minha ignorância na matéria. É, eu sei que sou professora de História e isso deveria significar um certo domínio da matéria. No entanto, o fato é que, apesar de isso ser mais ou menos implícito, está a léguas de distância da realidade. O que eu sei é o basiquinho, pílulas de conhecimento, o suficiente pra encarar meu alunado, que, cá pra nós, é bem pouco exigente e bem pouco capaz (infelizmente).
Uma vez, um amigo disse que dar aulas em escola pública era um processo de emburrecimento. Não concordei na época, porque ainda dava aulas “cuspe só”, não passava matéria no quadro, me recusava a dar exercícios de decoreba, só aplicava prova discursiva, deixava metade dos alunos de recuperação e a outra metade eu reprovava. Eu acreditava que eles tinham que se virar pra estudar e aprender, como eu sempre fiz. Com o passar do tempo, caí na real. Não é assim que funciona. Comecei a selecionar criteriosamente o mínimo necessário a ser ensinado, mínimo esse que diminui a cada ano e ainda assim é muita coisa. Com isso, parei de estudar, parei de me aprofundar e parei de saber História. É isso.
Voltando à vaca quase congelada, em determinado momento, a conversa estava acontecendo e eu ali, entendendo nada, fazendo cara de inteligente, evitando falar besteira ou perguntar quem diabos era fulano de tal. Fui dar uma voltinha na livraria, li umas revistas em quadrinho, folheei um livro com fotografias de todos os cartazes de filmes da década de trinta, um pedaço do livro do Ariano Suassuna, outro de Fernando Pessoa, voltei para a rodinha e, corajosamente, encarei minha ignorância. Foi duro.
A propósito: o nome do livro dela é “Tempo negro, temperatura sufocante. Estado e sociedade no Brasil do AI-5”. Não li ainda, nem comprei, porque fui desprevenida (só eu mesmo pra ir ao lançamento de um livro sem dinheiro pra comprar o tal…), mas pretendo me livrar das trevas da ignorância assim que possível.
E pra deixar claro: eu sei o que foi o AI-5, tá legal? Ignorância tem limites.

PS: esse texto vai para Jacqueline, a minha musa da semana.

Ô, preguiça!

In Sem categoria on 03/11/2008 at 10:22 PM

Querido Brógui

Tenho andado com preguiça de escrever. Estava meio que me sentindo culpada por isso, afinal de contas, assim como a maioria da pessoas, fui educada para pensar que preguiça é uma coisa feia. Isso ficou tão arraigado em mim que até nos domingos, o dia universal da preguiça, eu levanto cedo para não fazer nada porque tenho a sensação de que não fazer nada de pé é menos ruim do que não fazer nada deitadinha embaixo dos lençóis.
Então, hoje estou assumindo publicamente meu lado preguiçoso, aquele que quer que o mundo acabe em barranco para poder morrer encostado. Não sem culpa, é claro. Anos de terapia ainda não conseguiram me livrar desse sentimento cada vez que sucumbo ao doce far niente.
Muito a contragosto, liguei o computador pra dar uma olhadinha na minha caixa de entrada. Vixe! Coisa que não acaba mais, deu até vontade de chorar. Deixei isso pra amanhã, no melhor estilo Scarlet O’Hara e fui cair na página do Mário Quintana, de quem eu sou fã. Sabe o que eu achei? A seguinte frase: “A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.”
Fiquei aliviada. Se Mário Quintana que é Mário Quintana vê algum valor na preguiça, não sou tão má pessoa assim.

A menina-octopus

In Sem categoria on 25/10/2008 at 12:55 PM

Querido Brógui,

Resolve requentar essa edição depois que vi uma apresentação em slides (Como é o nome muderno? Ah! Power Point.) com uma parada muuuuuito parecida com esse meu texto. Fiquei cabreira… Será que nego já tá me pirateando? Não deixa de ser um chiquérrimo ser vítima de um crime tão na moda…

“Querido Diário

Há coisas que só nós meninas somos capazes de fazer. Há determinadas habilidades desenvolvidas ao longo dos anos por força das circunstâncias que são inimagináveis para os meninos.
Uma delas é fazer xixi em banheiro público, meio acocorada, mas não totalmente, meio em pé, mas não totalmente, meio sentada, mas não totalmente.
Isso é totalmente contrário às leis da física, mas como não somos dotadas de mangueirinha e muitas não conseguem acertar o alvo, o resultado são os respingos na tampa e ninguém tá aqui pra sentar no xixi alheio. (Não consigo entender por que as ruins de mira não limpam os respingos ao sair do reservado. Custa passar o papel higiênico rapidinho para dar uma meia sola na tampa? Vai cair a mão?)
Agora, fazer xixi em pé é uma coisa muito simples se o banheiro vier dotado de um simples acessório que é o cabide para pendurar a bolsa. Quase nenhum banheiro público tem o tal do ganchinho. Podia ser um simples prego mesmo que enferrujado só pra quebrar o galho, mas não. Pra que simplificar nossa vida?
Também desenvolvi uma teoria (eu sempre desenvolvo teorias) para explicar a ausência do cabide: os banheiros são feitos por homens. Já viram uma mulher trabalhando de peão de obra? Não. Só homens. Inclusive nem há feminino para pedreiro. Seria pedreira? Pedreiro-fêmea?
Enfim, os homens não pensam como mulheres ou nas mulheres e assim nos vemos na complicadíssima tarefa de fazer xixi segurando a bolsa, quando não é a bolsa e a pasta ou a bolsa e a sacola, ou os três juntos. Conheço gente que conseguiu fazer xixi em pé segurando seu bebê no colo. Incrível! Não podia haver um cabide pra pendurar a criança?
Então fica assim: com uma das mãos você segura a bolsa, com a outra segura a porta porque o trinco está quebrado (já perceberam que as portas estão sempre com o trinco quebrado?), com a terceira mão segura a saia pra cima ou se estiver de calça comprida segura a beira dela pra não esfregar no chão todo molhado (lembrar da coisa da falta de mira), com a outra pega o papel higiênico e com a última dá descarga. Simples assim. Nós só precisamos ser um octopus pra ir ao banheiro. Isso tudo tentando manter o equilíbrio pra não encostar no fétido vaso sanitário.
Além da sessão de contorcionismo para poder atender ao chamado da natureza tem mais outra coisa que me deixa tensa ao ter que usar o banheiro coletivo: aquela rápida olhada pra ver se tem papel. Essa fração de segundo é o limiar entre a total felicidade e o desespero total. Com menina precavida que sou, sempre carrego meus lencinhos descartáveis que saco da bolsa com a outra mão.
Então, inclui na lista que fiz antes, a sexta mão para abrir a bolsa e sacar o lencinho que, para facilitar, está sempre nas profundezas do buraco negro que é a bolsa das meninas.
A terceira coisa que me deixa trêmula ao entrar no WC (repararam que nunca mais colocaram WC escrito na porta dos banheiros?) é dar de cara com a tampa do vaso abaixada. Respeito profundamente esse sinal dos deuses. Nunca levanto a tampa porque inevitavelmente alguém guardou a sua obra-prima para a posteridade e eu não estou aqui pra fazer descobertas arqueológicas.
Não sei porque o povo se nega a apertar o maldito botãozinho da descarga. Não nego que o tal botão é uma das coisas mais asqueirosas que possam existir para eu pôr meu lindo dedinho, é só parar um minutinho pra pensar onde os dedinhos alheios foram antes de tocar aquele mesmo botãozinho antes de mim. Mas eu abstraio isso e depois lavo as mãos abstraindo também que outras mãos infectas tocaram a torneira antes de mim. Em resumo, é tudo uma nojeira do começo ao fim, a partir do momento que você adentra ao banheiro.
Tenho certeza de que estão se perguntando acerca da utilidade da sétima e da oitava mão da menina-octopus. Já explico: com a sétima você atende o celular e com a oitava tira meleca pra colar na porta do banheiro.”

Virose

In Sem categoria on 23/10/2008 at 2:33 PM

Querido Brógui

Depois de mais de um ano dando olé nas “viroses”, baixei no estaleiro. Por que viroses entre aspas? Porque agora, quando os médicos não sabem o que você tem, classificam a pereba de virose. Essa denominação serve para de um tudo, desde piriri até unha encravada, passando pela dor de cabeça e acabando na sensação de ter sido atropelada por um caminhão desgovernado.
Minha pediatra (pode parar de rir, eu tenho uma pediatra, tá?) diz que os médicos que estão saindo agora das faculdades não sabem nada. Ela diz que escolhe pela idade. Só serve médico velho. Já tem a listinha dela preparada, daqueles conhecidos, mas quando surge uma necessidade de algum profissional diferente, ela liga pro consultório e pergunta quantos anos tem o médico. Menos de cinqüenta anos, nem pensar. Com cinqüenta anos de idade, ao menos o cara tem uns vinte de profissão. Já é alguma coisa. Eu concordo com ela, trocando apenas o adjetivo “velho” por “antigo na praça” ou “experiente”.
Há alguns milênios atrás, a moda era stress. Eu ia para o médico, com uma baita infecção na garganta e ele perguntava: ”Você está estressada?”. Ia mostrar uma irritação na pele e vinha a mesma pergunta. Ia tratar de uma anemia, a mesma coisa. Naquele período, eu já entrava no consultório dizendo que minha vida estava muito bem, obrigada, e que não estava sofrendo de nenhum distúrbio psicossomático.
Depois da moda do stress, veio a moda da alergia. Tudo tinha fundo alérgico. Fiquei preocupadíssima, a ponto de pensar que tinha alergia a mim mesma. Fiz testes alérgicos aos montes e, no último deles, quando peguei o resultado, uma amiga me disse, ainda no elevador, que eu tinha que viver numa bolha de plástico, que nem aquele personagem do John Travolta naquele filme. Lembra? “O rapaz na bolha de plástico?” Um dos micos que esse grande ator pagou antes de ser resgatado das profundezas do ostracismo pelo Tarantino e ir fazer Pulp Fiction. Não lembra? Não viu? Nem era nascido? Tudo bem, não perdeu nada mesmo.
Ano passado, depois de duas semanas bombardeada, de cama, achando que não iria sobreviver, fui à emergência de um hospital. Fiquei ho-ras esperando. Acho que eles deixam o cabra esperando na emergência para ter certeza de que é emergência mesmo, porque se não for, ele se levanta e vai pra casa (ou pro cemitério). Menos um pra atender.
Nesse dia, a médica me atendeu, disse que eu tinha tido não apenas uma virose, mas três. Isso mesmo. Emendei uma na outra, apresentando sintomas diferentes. Disse também que eu aparentemente estava com uma crise alérgica. Perguntou ainda se eu estava passando por um momento de muito stress.
Saí de lá com a certeza de que a moça estava atirando pra tudo o que era lado. Não tinha como errar. Ou era virose, ou alergia, ou “pobrema de neuvos”.
De lá pra cá, nunca mais fiquei doente daquele jeito e atribuo isso às doses diárias de Targifor C. Quem receitou? Minha pediatra, lógico.

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