Fatinha

Longe, sim. Separados, nunca.

In humor on 06/01/2021 at 10:06 PM

Querido Brógui,

A maldita pandemia impôs (pelo menos para as pessoas sensatas) o tal do isolamento social, que, para mim significa não poder estar com as pessoas que amo. Não poder estar junto pra rir, falar bobagem, fazer visitas, sair pra passear, ir para feirinha, pegar uma praia ou sentar num banquinho de praça pra ver o tempo passar.

Não poder estar junto implica em também não poder abraçar. Não poder abraçar é um comportamento antinatural para mim. Sempre fui abraçadora. Sempre gostei de agarrar bem apertado, quebrando as costelas, sentindo aquela energia boa passar de um corpo para o outro. Não é aquele abracinho nojinho, é abração mesmo, é se pendurar no pescoço do outro e sentir acolhimento, carinho, afago, segurança.

Todo mundo que conheço vez por outra se queixa da solidão, de saudades. Um suspiro melancólico escapa sempre. Mesmo quem não mora sozinho, sente a solidão. Sente falta de outros além daqueles com quem divide o teto. Sente falta de renovação, reclama que o assunto acaba e o silêncio vem. Normal. Difícil encontrar assunto novo pra conversar com alguém que está confinado no mesmo espaço 24 horas por dia por longos e longos meses. Haja criatividade! E mais difícil ainda é inventar assunto que não seja morte, doença, vacina, 2ª onda, tô de saco cheio, tô estressado, tô cansado e por aí vai. A conversa roda, roda e acaba no mesmo assunto. Deprê total.

Mas, Querido Brógui, como assumi a missão de ser seu guia espiritual mesmo estando tão na merda como você, o assunto de hoje é a existência do abraço de longe. O abraço que vem pelo telefone em ondas de empatia. O colo que vem por escrito. O amor que vem só na voz. Aquela abençoada chamada de vídeo na qual você chora e o outro puxa o lencinho. O abraço que vem dos anjos personificados nos amigos.

Hoje tive um dia péssimo. Gastei dois rolos de papel higiênico secando lágrimas e assoando o nariz. Tive falta de ar, dor de cabeça, tremedeira. Um horror. Por outro lado, tive um dia ótimo.

Tá doida, Brógui?

Tô não, Brógui.

Tô na merda, mas tô legal. Tô na merda porque estou sofrendo. Tô legal porque o sofrimento foi apaziguado pelos meus anjos. Sim, acredito em anjos. Não aqueles gorduchinhos com asinhas, mas aqueles que Deus coloca no meu caminho nos momentos de desespero. Incontáveis vezes os anjos me acolheram. Muitos de vocês provavelmente já foram anjos na minha vida e nem sabem disso, mas eu sei.

Então… Hoje, meus anjos vieram me acudir, me consolar, me guiar, passar a mão na minha cabeça e aliviar minha dor. São aqueles amigos que estão longe, sim. Separados, nunca. Aqueles que nem entendem bem o que você está dizendo ou do que você está falando, mas vão pegando uma ideia aqui, outra ali, concluem que tá feia a coisa pro seu lado e tomam para si a difícil e árdua tarefa de segurar sua mão a quilômetros de distância e puxar você pra fora da piscina de lágrimas antes que se afogue.

Aqueles serem humanos metamorfoseados momentaneamente em anjos ouvem, falam, não ouvem direito, mas falam assim mesmo, mandam inspirar, expirar e não pirar. Mandam assoar o nariz abrindo a boca pra não estourar os tímpanos. Mandam comer porque você precisa se alimentar e ficam esperando pra ver se comeu mesmo. Mandam dormir, ver um filme besta pra distrair, tomar chá de camomila. Ficam ouvindo você chorar, soluçar e só desligam o telefone quando a situação parece mais ou menos sob controle. Enviam mensagens pra checar se conseguiu descansar um pouquinho, se tomou o remedinho para dor de cabeça ou se tá precisando de mais papel higiênico. Depois ligam mais uma vez, mandam mais mensagens só pra saber se tá tudo bem ou se o drama começou de novo.

E, depois da tempestade, vem a bonança (que significa tranquilidade, acabei de olhar no dicionário). Vem aquela certeza de que tudo vai dar certo. Aquela sensação de que o pior já passou, não houve naufrágio, o barquinho continua seu rumo em direção ao lindo por de sol. Nos remos, meus anjos. No leme, este Brógui que aqui escreve sem deixar uma lagriminha cair.

Assim somos nós, Broguinho: longe sim, separados, nunca.

PS: Deixem comentários, coloquem estrelinhas, encaminhem o post pra seus contatos. As ferramentas estão logo abaixo do texto. O Brógui tá carente, precisando de abraços dos seus anjos.

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