Fatinha

Tempo pra nós

In humor on 09/12/2015 at 11:03 AM

Querido Brógui,

Assunto matinal, antes de entrar no prédio. Quanto tempo gastamos ganhando o leitinho das crianças? Quanto tempo nos resta pra fazer nada? Ou tudo? Ou quase tudo (porque nunca dá tempo mesmo)?

Nossa vida é uma eterna correria e a tendência é piorar. Sempre. Ao final do dia, estamos com aquela sensação de que acabamos de sair de uma máquina de fazer massa de pizza – amarrotadas e disformes. Sim: amassadas e disformes, mas sempre apetitosas e prontas para o combate.

Pois é. Mulher que é mulher não perde o glamour nem quando faz hortifruti depois de nove horas de trabalho e duas de academia. Não desce do salto nem trocando fralda de criança. A maquiagem não derrete enquanto briga com o flanelinha. (tudo metáfora, queridobrogui)

Mulher de verdade é macha pra caramba. Encara o nine-to-five e ainda se diverte. Marca consulta no médico enquanto responde a uma mensagem eletrônica. Não dá mole pra homem folgado, enquadra todo mundo.

Mulher bacana, de qualidade, top de linha, é macha sem perder a ternura. Tá falando palavrão e colocando no colo ao mesmo tempo. Perde a paciência, mas não perde a sensatez. Tem um útero do tamanho do mundo, onde acolhe a família, os amigos, os namorados (e congêneres).

Mulher que merece ser chamada de mulher tá sempre ocupada e sempre disponível. Tá sempre pronta para qualquer parada. Já nasceu pronta.

Mulher, em nome da vaidade, do amor a si e ao próximo (ou próxima), no meio de um engarrafamento infernal planeja o cabeleireiro – o cabelo tá sempre precisando de um trato. Pensa em como organizar a logística da depilação plus unhas. Faz esfoliação para ficar com pele de pêssego. Modela sobrancelhas, faz limpeza de pele. Hidrata. Tudo. Da ponta do pé ao cocoruto da cabeça. Passa um perfuminho. Faz uma maquiagenzinha leve pra disfarçar as imperfeições e melhorar as perfeições.

E cadê o tempo? Eu e Mariana concluímos, com todo o brilhantismo, que precisamos propor uma revisão na nossa carga horária de trabalho. Precisamos reduzir nossa jornada pra poder, calmamente, cuidar da nossa beleza, papear com as amigas, andar pela rua sem trotar. Precisamos de algumas horas sem olhar para as horas. Precisamos sentir que o tempo nos pertence, e não o contrário. Precisamos dormir sem culpa. Olhar a vida sem estar procurando alguma coisa.

Urgente também é a revisão dos auxílios, abonos, gratificações e vales. Precisamos de ajuda de custo pra bancar a boniteza. O investimento é alto. Se botar na ponta do lápis, é uma pequena fortuna mensal que se gasta só com a manutenção do equipamento. Se quiser renovar, dar um upgrade, aí fica mais caro ainda.

Daí, vem o cabra e diz que a gente gasta dinheiro com bobagem. Ok. Vai encarar uma ogra? Vai desfilar com a filha do Belzebu? Acho que não. Vai dizer que nem repara? Que o que vale é a beleza interior? Ahã… Vai parar de comparar com a mulher do vizinho que está sempre em dia? Então tá. Ainda assim, eu vou continuar me cuidando. E ponto final.

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  1. Adorei a parte de me sentir dona do tempo e não o contrário… É isso mesmo! Saudades! Bjs.

  2. ADOREI AS COLOCAÇÕES!! BJS

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