Fatinha

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Rio 50°

In humor on 20/02/2013 at 11:35 AM

Querido Brógui,

O inferno é aqui.

Não, não estou em depressão, nem revoltada. Há semanas não leio jornal, nem vejo noticiários na televisão. Alienei total.

Não, não estou dizendo que todas as pessoas são ruins, que a humanidade está perdida. Conheço muita gente boa.

Estou sendo bem mais literal que isso. O que eu quero dizer é que aqui no Rio faz um calor insuportável, daquele do tipo que até o vento venta quente, parece o sopro do Capeta. Um calor que derrete a maquiagem, estraga a chapinha e faz o desodorante ficar vencido.

Para pessoas afortunadas, dentre as quais não me incluo,  que possuem um ar-condicionado em casa, a vida fica menos sofrida.  Salvo os milhões de reais gastos na conta de luz, ao menos podem sobreviver com uma certa dignidade, desde que não ponham os pés fora de casa.

Lá em casa não temos isso, então a sensação é a de viver dentro de um forno. Não há banho que dê conta. Não existe roupa fresquinha. Não há como ficar mais de um minuto no mesmo lugar ou na mesma posição. Com o ventilador ligado, o máximo que se pode fazer é ficar virando o corpo, refrescando um lado enquanto o outro sua. Por que não tem ar-condicionado na minha casa? Fácil responder, difícil de solucionar: porque a casa é antiga, a fiação do tempo do Império, do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, do tempo do guaraná de rolha, do tempo que dondon jogava no andaraí, do tempo em que os fios eram encapados com tecido. Tem noção? Periga dar um curto e a casa pegar fogo.

Para pessoas afortunadas, dentre as quais me incluo, que trabalham em local com ar-condicionado, a vida fica menos sofrida. Felicidade potencializada pelo fato de que não pago milhões de reais de conta de luz. Chegar aqui de manhã e saber que vou passar o dia inteiro no fresquinho é sair do inferno para o paraíso em frações de segundos. Mesmo assim, no paraíso, às vezes rolam umas discussões acaloradas (perdão pelo trocadilho horroroso): de um lado os que estão sempre com frio, do outro os que estão sempre com calor, na eterna briga pela temperatura ambiente. Eu nem me meto na encrenca. Ponho casaco, tiro o casaco. Meus paradigmas são outros. Pra quem trabalhou metade da vida com um ventiladorzinho muquirana espalhando o ar quente da sala de aula, qualquer temperatura menor que 40° tá no quilo.

Por falar nisso, na minha outra vida, no meu universo paralelo, no qual ainda sou professora, continuo  ganhando meu dinheirinho suado (perdão, de novo, pelo trocadilho infame). Chego lá toda linda, saio com cara de quem acabou de esfregar o chão da escola. Com a cara.

A previsão da meteorologia para essa semana é de mínima de 38° na sombra e máxima de 50° no sol. Bacana, não? Sem chuva, sem vento, sem trégua, sem fazer reféns.

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