Fatinha

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Pendências

In humor on 13/02/2011 at 7:12 PM

Querido Brógui,

Meu nome é Dência. Pen Dência.

Não sei se com todo mundo acontece isso, mas comigo é fato: vivo com assuntos pendentes, problemas pendentes, questões pendentes, tudo pendente – menos o meu corpinho, é claro. Parece que, a cada pendência extirpada da minha vida, surgem novas, como brotos num pé de feijão. Não consigo diminuir nunca a minha lista. É, eu faço uma lista, na medida em que vou me lembrando de que tenho que fazer alguma coisa que ainda não fiz.

A minha lista vai crescendo sempre. A cada item riscado, acrescento outros. Tento reorganizar a lista, colocando as encrencas em ordem de prioridade e com isso, há determinados causos que vão ficando sempre para depois, seguindo a máxima de Garfield de “não faça hoje o que você pode deixar pra fazer amanhã”. Isso sem contar que, atrás de uma encrenca, sempre há uma maior ainda.

Desorganizada? Em absoluto. Até para dar uma saída para resolver pepinos, há toda uma logística para evitar a fadiga, como um roteiro de despepinização por área. Então, se é para ir ali, o que há no meio do caminho? No final do dia, vejo que otimizei o meu tempo, mas não diminuí a minha lista e muito menos aplaquei minha ansiedade.

Quer um exemplo? Ida ao oftalmologista, coisa que me come no mínimo três horas de vida e me dá vontade de tomar uma overdose de ansiolíticos. Vou armada com livros, sudoku, celular com internet, faço faxina na bolsa, contas com o extrato do banco e o tempo não passa. O médico me atende em três segundos, o suficiente para pedir um exame e dizer que preciso trocar de óculos e ver se as minhas lentes de contato estão prestando ainda. Pronto. Risco o oftalmologista da lista e acrescento marcar exame, fazer o exame, levar o exame pra ele ver, fazer orçamentos em pelo menos vinte óticas (porque as lentes são mais caras que meus olhos), marcar uma visita ao contatólogo (essa profissão existe mesmo, não é invenção minha), ir no consultório do Waltinho pra ele condenar minhas lentes de contato ao ralo da pia, encomendar as novas lentes de contato. Percebeu? Mais sete pendências substituindo a primeira. Coisa de maluco, que me consumiu as duas últimas semanas e parte das minhas economias.

Outro exemplo é a tal da luz de ré do Tigrão. Pensa que foi só comprar e colocar? Engano seu. Tive que mandar desmontar o treco todo para depois o cara da loja dizer que o problema não é da lâmpada, é da rebimboca do sensor, o que me levará à oficina, que me levará a aproveitar e mandar fazer a revisão anual, o que resultará em mais uma faina e mais uma sangria na minha caderneta de poupança. (será que esse povo não lembra que eu tenho que ir pra Europa nas minhas férias????)

É. Meu nome é Dência. Pen Dência. Compra-se o cabo do computador, que não se encaixa no buraco, aí tem que procurar um adaptador que não se encaixa no cabo e depois um adaptador pro adaptador. Parece um buraco negro. Depois que eu me enfiei nele, não consigo mais sair, as pendengas andam de mãos dadas, como num complô contra a minha sanidade.

E você? Identifica-se comigo ou sua vida é toda encaixadinha como um grande quebra-cabeças já montado?

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