Fatinha

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Festinha Julina

In humor on 25/07/2009 at 10:15 AM

Querido Brógui

 Eu sempre soube que algumas áreas do meu cérebro não eram bem desenvolvidas. A mais atrofiada delas é aquela responsável pelo raciocínio matemático.

Nunca me dei bem com os números. A Matemática sempre foi um mistério para mim. Tinha um certo interesse em Física, mas cedo percebi que não dá pra dissociar essa disciplina da tal da Matemática. Também acho bacaninhas aqueles probleminhas de raciocínio lógico, mas, qual uma criança de cinco anos, para chegar às respostas, preciso fazer desenhos. O natural então na minha vida foi seguir por outros caminhos, longe, bem longe, dessas coisas exatas.

Quarta-feira, dia da Festa Julina lá da escola. Eu, pronta para dar um golpinho e ficar flanando pra lá e pra cá, fingindo que estou trabalhando. Inadvertidamente, acabei por passar pelo local onde duas queridas colegas tentavam administrar a venda de fichas, aqueles papeizinhos pra comer. Não, não são papeizinhos comestíveis, servem para ser trocados pela comida, entendeu?

O caos já estava instaurado, a fila estava quilométrica e eu, toda solidária, gentilmente me ofereci para ajudar – crente que elas iriam, igualmente gentis, recusar. “Se dei mal”, como diriam meus alunos. Elas aceitaram minha cooperação.

Um cachorro quente, dois milhos, três salgados, um doce, duas brincadeiras e cinco refrigerantes!

Hein?

Um cachorro quente, dois milhos, três salgados, um doce, duas brincadeiras e cinco refrigerantes!

Peraí. Fala devagar que eu me perdi no primeiro milho.

Todos  aqueles atendidos por mim tinham que repetir o pedido pausadamente, enquanto eu pegava os papeizinhos bem devagarzinho pra dar tempo de fazer a conta de cabeça (ou, disfarçadamente, nos dedos). Ô coisa complicada! Pegar tíquetes, fazer a conta, pegar o dinheiro e dar o troco. São muitas tarefas complexas, não tenho inteligência pra isso tudo, muito menos estando de pé e de salto alto (sim, nesse dia eu resolvi ir com aquela minha botinha).

Foi divertidíssimo. Me enrolei toda, demorava horas pra fazer o troco, esquecia o pedido e mandava repetir de novo, ficava que nem barata tonta procurando onde estava o envelope com os papeizinhos carimbados.

Com tudo isso, acredite se quiser, ninguém me mandou praquele lugar, talvez por causa meu sorriso idiota. Um bom sorriso idiota desarma e tem o poder de nos livrar de poucas e boas, experimente.

Como sempre tiro um aprendizado de tudo o que me acontece, o saldo da festa foi positivo: descobri uma série de detalhes tão pequenos de mim mesma.

Que detalhes? 1) Não sirvo pra trabalhar como caixa, já que não sei fazer contas e muito menos dar troco; 2) Também não levo jeito pra garçonete porque não tenho memória suficiente para salvar os arquivos temporários e atender aos pedidos; 3) Também não consigo fazer nada rápido sem dar tudo errado e ter que fazer de novo; 4) Meu mau-humor está mais ou menos sob controle, não dei coice em ninguém; 5) Não tenho mais idade pra ir trabalhar de salto alto.

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