Fatinha

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Tá com “pobrema”?

In humor on 27/04/2009 at 1:26 AM

         Querido Brógui

 

         Todo mundo tem problemas, não dá pra fugir disso. Alguns maiores, outros menores, a maioria deles sem solução. É. Acredito que a maior parte dos problemas que nos afligem são insolúveis, apenas administráveis. Não dá pra resolver? Administre. Como eu estou aqui para lhe ajudar nas horas difíceis da sua vida, redigi um pequeno manual para a administração de problemas. Se funciona? Se vale à pena tentar seguir as instruções? Querido Brógui, lamento, mas isso é um problema seu.

         1º passo: avalie a dimensão do problema. Se for pequeno, ignore. Finja que ele não existe, varra para debaixo do tapete e espere ele tomar dimensões merecedoras de sua atenção.

         2º passo: avaliou o problema? Não deu pra ignorá-lo? Então verifique se você precisa mesmo dar conta dele hoje ou se dá pra deixar pra amanhã. Lembre-se de Scarlet O’Hara e diga: “Amanhã eu penso nisso.”

         3º passo: o problema tem que ser encarado hoje? Agora me diga se apenas você é capaz de resolvê-lo. Dá pra empurrar pra outra pessoa? Empurre. Não assuma para si pepinos que não são apenas seus. Deixe dessa mania de controle e delegue. Sem culpa. Sem medo de ser feliz. Se o outro oferecer resistência, faça uma boa chantagem sentimental, manipule, ofereça suborno, qualquer coisa pra se livrar da aporrinhação.

         4º passo: se você chegou até esse estágio, é porque não conseguiu fingir que o problema não existe, nem deu pra deixar pra depois e muito menos passá-lo para outra vítima. Então, sente no cantinho da parede e chore. Não tem jeito. Você vai ter que encarar o abacaxi, descascá-lo e comê-lo até o talo, ainda que seja alérgico e sua cara vá ficar parecida com a do Homem Elefante.

5º passo: seque as lágrimas, olhe para o problema com desprezo, não o deixe perceber que está com medo. Se ele perceber, cresce. Ele se alimenta disso, do seu desespero. Pense, dentre as opções disponíveis, qual será a menos dolorosa, mesmo que não seja a melhor delas. Não seja perfeccionista. Lembre-se de que você não vai solucionar nada, apenas encontrar um meio de conviver com aquilo da melhor maneira possível. Saca aquele casamento de sua melhor amiga (o), quando você foi madrinha (ou padrinho)  e que, depois de ficar duas horas de pé no altar, na hora de dançar percebe que tem uma mega bolha no calcanhar? Vai negar fogo? Não. Mete um esparadrapo e vai pra pista. A bolha vai continuar existindo, provavelmente vai inflamar, infeccionar e você terá que andar de havaianas durante um mês. Mas, amanhã você pensa nisso.

6º passo: execute a tarefa de uma vez só. O objetivo é tirá-lo do seu caminho para que outros possam se aproximar. Lembre da depilação e do chiclete no cabelo. Não puxe a cera aos pouquinhos, tem que ser de uma vez só. Não perca tempo passando gelo nos fios, pegue logo a tesoura e corte o tufo inteiro.  

7º passo: sorria. Você venceu mais essa. Parabéns, siga em paz. Não esqueça de aproveitar bastante esse último momento, que é passageiro, porque com certeza há outro problema lhe aguardando na próxima curva. Aí você volta ao 1º passo.

PS : essa edição é dedicada à HL, por motivos que somente ela teve o desprazer de conhecer. hehehe

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