Fatinha

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A volta da Menina-Octopus

In humor on 01/02/2009 at 8:24 AM

         Querido Brógui

 

         Acabo de voltar da praia. Fui pegar um fim de sol, esquecer que passei a manhã de sábado fazendo todo o tipo de serviço de corno que uma dona de casa faz.

         Cheguei à areia, armei meu acampamento, abstraí que só tinha conseguido estacionar o carro no Leblon e que ontem na televisão foi noticiado que tinha ocorrido um vazamento de esgoto naquela praia. Tudo bem, não vou entrar na água mesmo. Tirei da bolsa meu mp3, meu livro, enfiei o boné, passei filtro solar e me preparei para um agradável fim de tarde, ao som do mar de bosta batendo na areia. Comprei uma Coca Light. Esse foi meu primeiro erro. Minutos depois, veio o chamado da natureza.

         Olhei para o mar, pensei que, afinal de contas, diante de toneladas de merda, um xixizinho a mais ou a menos não ia fazer muita diferença. Levantei e fui desfilando todo o charme e o veneno da mulher carioca rumo ao banheiro. Naquele momento, passava pela orla um comboio de cinco navios da Marinha do Brasil (existe isso? comboio de navios?). Tão bonitinho, todos enfileiradinhos. Fiquei prestando atenção. Esse foi o segundo erro. Minutos depois, veio uma onda. Onda não. Uma marolinha sem-vergonha.

         Olhando para ela, pensei: shit! Dei um passinho pra trás. Esse foi meu terceiro erro. Erro fatal. Nunca dê um passinho pra trás, sempre corra na direção da onda pra evitar maiores danos. Enfrente o mar, senão  ele acaba com a sua raça! Segundos depois fui atacada pela marola.

         A Menina-Octopus, sua velha conhecida (não lembra? dá uma olhada no arquivo de 25 de outubro do ano passado), entrou em ação novamente. Com uma das mãos segurei o boné (é, eu não tirei o boné porque não tinha a menor intenção de mergulhar), com a outra, os óculos escuros (é, eu também não tirei os óculos), com a outra, segurei a parte de cima do biquíni, com a quarta, a parte de baixo. Precisava proteger minhas lentes de contato, usei a quinta. Com a sexta mão, tentei evitar que meu cabelo limpinho, escovadinho, chapadinho se molhasse, com a sétima tentei em vão resguardar o pouco de dignidade que ainda me restava, aparando a queda. E, finalmente, a oitava mão foi usada para impulsionar meu corpinho para a posição vertical.

         É, Querido Brógui. O mar de cocô levou-me a nocaute (talvez por vingança, talvez por despeito). Levantei com a velocidade de um raio, naquele estado lamentável que ficam todos os destarimbados que ousam enfrentar Poseidon. Areia no cabelo, biquíni todo torto, um olhar desconfiado de macaco que meteu a mão no pote.

         Retornei à minha cadeirinha. Humilhada, de cabeça baixa, certa de que a praia inteira viu o caldo que levei. Sentei, coloquei o boné, os óculos escuros, enfiei a cara no livro de onde ela só saiu na hora de ir embora.

 

 

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